Injúria à arte foi o que aconteceu na Câmara dos Vereadores, na sessão do dia 10/9/07, às 17 horas aproximadamente. Assunto fora da pauta, injurioso, em virtude da ofensa à dignidade de um artista e também de um secretário. O sr. vereador João Parreira - inimigo n.º 1 da cultura - utilizou palavras grosseiras, abusivas, com comparações esdrúxulas em relação ao ator Val Rai, sobre seu trabalho de Dança Butoh. Ao mesmo tempo, tentou chamar a atenção para a palavra: vi-na-gre, comentando jocosamente o seu significado. Denegrindo e ofendendo cidadãos, que deveriam no mínimo serem respeitados. Aproveitando de sua imunidade parlamentar, difamou, insultou, ofendeu e na Câmara nenhum vereador se pronunciou para situá-lo sobre este atroz preconceito contra formas artísticas.
Klauss Vianna revolucionou a dança no Brasil ao imprimir consciência ao movimento: “Acho uma ignorância atroz o preconceito contra formas artísticas e infelizmente contra ignorância não tem solução...”
Exemplificando: a palavra correta é Butoh, que quer dizer: bu - significa dança; toh - quer dizer passo. Literalmente, dança compassada. O butoh mistura elementos do teatro tradicional japonês e da mímica. O butoh conecta consciência com inconsciente. Uns preferem ver a Dança Butoh, outros preferem Monólogos da Vagina e outros ainda preferem ver os dois... Portanto, a fala preconceituosa do vereador, com muita generosidade, pode ser considerada um grosseiro equívoco. Foi um ato deprimente ao injuriar a arte, difamar um artista e insultar um ser humano, onde o nobre vereador sente-se no direito de, em pleno momento que deveria ser de “trabalho” - que é muito bem pago por nós, artistas também -, utilizar preconceituosamente sua fala para ofender, causando prejuízo e dor às vítimas.
Qual é o código de ética que existe na Câmara dos Vereadores?
Para um ato de insulto, o que aponta o processo disciplinar?
Quando há transgressão de alguma norma, quais as sanções cabíveis?
A platéia, diga-se assistência, quando se manifesta, contra as muitas aberrações que são colocadas durante as sessões na Câmara, ela é rapidamente convidada a se calar, a não ter reações, porque caso contrário ela é convocada a se retirar.
- Silêncio na platéia!
- Silêncio no plenário!
- Injúria à Arte!... Pode continuar...
- Pode? Pois é, século XXI.
- Onde?
- Aqui...?
Que retrocesso, Bauru!!
Que vergonha sentiriam Mauro Rasi, André Galesso, Laerte Morrone, Ricardo Landi, Celina Lourdes Alves Neves... que por aqui passaram e outros, que quando souberem deste episódio, com certeza sentirão vergonha e tristeza: Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Marília Pera, Jô Soares, Edson Celulari, Arieta...
Regina Ramos - arte educadora