Ante a fúria imperialista dos cereais, soja e milho, a cana-de-açúcar reinava as cercanias hereditárias, depois passou aos vales mercantis mineiros e paulistas, era o café. Depois disso tudo girou entorno do óleo, ainda hoje se transforma o petróleo em culpado. Agora outros servidos oleaginosos estão tomando a frente do mercado, os óleos comestíveis colocam os motores para roncar. São os biocombustíveis.
O ciclo, emblemático, das cadeias produtivas coloca o Brasil em um retorno ao início, de onde partimos. Hoje servimos extração mineral e vegetal, estamos dentre os grandes dentões da extração. Acabamos com a Amazônia, escavamos os rios, assamos os peixes, fizemos balanço das árvores, espantamos a fauna, cheiramos toda a flora. Repetimos tudo o que fizemos em cinco séculos, plantamos cana-de-açúcar. A atenção das ações públicas está concentrada no ouvidor mor e na cana-de-açúcar. Tudo como antes.
Temos o ciclo da pecuária, extensiva, por conseguinte. As terras circundadas pelos canaviais eram moradas dos bois, para consumo ou venda. As terras dedicadas à pecuária se entendiam para o Norte do País. O cerceamento por obviedade foi necessário, pela incidência de furtos ou desaparecimento. Boi, furto ou desaparecimento, no Norte! Não é coincidência? Admitamos, somos repaginados, fervidos em água quente, escabelados pelas chuvas, libertados pelo carnaval e corruptos. Somos o que podemos ser! Exatamente como no início.
O caso Renan - presidente do Senado - foi consumado pela história titular do nosso Brasil, é o caso moldurado que nos deixou o Marquês de Pombal. Vivemos a reforma das Companhias de Comércio, responsáveis pela manutenção e aprimoramento do sistema colonial, entre Metrópole e Colônia. Mas ao menos mudamos a Metrópole, não é mais Portugal. O Renan Calheiros seria o responsável pelo sistema fortificado do Mercantilismo, adaptado para o sistema globalizado. Catando os revides do povo e ajudando a elite. O Brasil não muda!
Thiago Turbay Freiria