Internacional

Bolívia seqüestra bens da Queiroz Galvão

Folhapress
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La Paz - A Polícia Nacional da Bolívia realizou ontem um arresto de bens em quatro acampamentos da empreiteira brasileira Queiroz Galvão que serviam para a construção de duas estradas no sul do país. A ação foi autorizada pela Justiça boliviana a pedido da ABC (que administra as estradas). A estatal disse que não se pronunciaria sobre a medida para não prejudicar o processo.

Em posse de documentos de seqüestro de bens, os policiais fizeram um levantamento de todos os equipamentos que haviam no local e impediu a empresa de removê-los.

A Queiroz Galvão disse, em nota, que “repudia e lamenta os atos de seqüestro de bens em seus canteiros de obras e o constrangimento de que foi vítima na Bolívia”. E reiterou que “não abrirá mão de lutar pelos seus direitos e de procurar obter a devida reparação pelos prejuízos e danos sofridos”.

No último dia 12, o governo boliviano anunciou a criação de uma comissão interministerial para encaminhar a rescisão do contrato com a empresa para a construção das duas estradas por supostas irregularidades na execução das mesmas. Desde a anulação contratual, oficializada no dia 14, os trabalhos foram paralisados pela construtora.

A Bolívia acusa a empresa brasileira de não cumprir com o cronograma de obras previsto no contrato e do aparecimento de fissuras em trechos do pavimento recém-construídos.

A Bolívia e a Queiroz Galvão trocam acusações sobre a culpa desse problema. Para o governo, as rachaduras são resultado do não-cumprimento de especificações técnicas, evidenciadas pelo surgimento de material orgânico no asfalto. Já a empreiteira brasileira culpa o projeto -de responsabilidade do Estado boliviano- por prever o uso de pavimento rígido (cimento) numa região semidesértica, onde o adequado seria a utilização de pavimento flexível (asfalto).

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