Bairros

Teste molecular promete diagnóstico mais rápido e preciso para leishmaniose

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Um novo método de diagnóstico da leishmaniose promete um resultado mais rápido e preciso dos exames, tanto para suspeita de contágio em cães quanto em humanos. Desenvolvida pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, a nova forma de detectar a doença se dá através do estudo de moléculas de DNA, que são cultivadas a partir da técnica da PCR (Polymerase Chain Reaction).

Amplamente utilizado em laboratórios de pesquisa e clínicos, o método consiste em produzir automaticamente milhões de cópias de um único segmento de DNA em questão de horas. O objetivo é multiplicar uma parte específica do material genético em quantidade suficiente para detectar e analisar a seqüência que é alvo do estudo.

O instituto padronizou a metodologia para o diagnóstico da leishmaniose a fim de identificar moléculas de DNA do parasita que provoca a doença em cães e humanos, segundo informou a pesquisadora do instituto, Vera Lúcia Pereira Chioccola, que ministrou palestra anteontem em Bauru durante o Simpósio Internacional em Imunologia das Doenças Tropicais.

A forma tradicionalmente utilizada de diagnóstico para a leishmaniose são exames parasitológicos (observação microscópica ou cultura dos parasitas) e sorológicos (detecção de anticorpos dos parasitas). A pesquisadora explica que, além de serem menos sensíveis, estes resultados geralmente são mais demorados em relação ao diagnóstico molecular.

“No exame de cultura, o material é colocado no tubo de ensaio e pode demorar até 30 dias para ter o resultado, porque o parasita precisa daquele tempo para se multiplicar.

A PCR é um teste rápido, em que o DNA é extraído e em menos de uma semana dá o resultado”, destaca. No entanto, a aplicação desta técnica está restrita ao instituto e a alguns laboratórios particulares do Estado de São Paulo. Em Bauru, o método ainda não é utilizado.

Para Chioccola, a ampla utilização da técnica de diagnóstico poderá colaborar com os programas de controle da doença no Estado, que vêm apresentando aumento no número de casos de contágio. “A reação molecular provocada pelo PCR nos dá uma precisão de diagnóstico entre 98% a 100%, o que auxilia muito no pronto atendimento dos pacientes. A precocidade e a precisão do diagnóstico são extremamente importantes para o sucesso do tratamento”, afirma.

Comentários

Comentários