Piratininga - Uma denúncia do genro contra o ex-prefeito Odail Falqueiro (PTB) levou a polícia de Piratininga (13 quilômetros de Bauru) a cumprir mandado de busca e apreensão na residência de Falqueiro anteontem.
As acusações do genro contra o ex-prefeito seriam de apropriação de equipamentos que pertenceriam à Prefeitura de Piratininga e “outros fatos” irregulares, que teriam ocorrido em sua administração, de 2001 a 2004. Entre os objetos, estariam um umidificador e um armário que não foi recolhido da casa de Falqueiro. Extra-oficialmente, o conteúdo dos “outros fatos” podem ser mais escabrosos.
No entanto, o teor das denúncias está sendo mantido em sigilo. O delegado titular da cidade, Paulo Calil, preferiu ontem não comentar os procedimentos, mas disse que devem ocorrer novas diligências. Ele já colheu um depoimento do genro de Odail Falqueiro.
Na noite de ontem, o JC procurou o genro que não quis se pronunciar sobre as denúncias que apresentou. Ele alega estar querendo preservar as filhas. O JC apurou que o rapaz teria tomado a iniciativa de denunciar Falqueiro após receber a citação do processo de separação da mulher. Inicialmente, ele relatou as denúncias ao representante do Ministério Público (MP) do Estado de São Paulo, que acompanha o desenrolar dos acontecimentos.
O ex-prefeito comentou que as acusações são inverídicas. “Minha filha sofreu sete anos com ele e resolveu deixá-lo. Ele quer se vingar da gente”, argumentou.
Falqueiro explica que o armário não pertence ao patrimônio da Prefeitura de Piratininga e que sua esposa iria recuperá-lo. O aparelho para umidificar o ar para a neta, filha do genro com a filha, também teria sido adquirido. Com a morte da esposa, o móvel não foi reformado. “Para que eu iria querer um armário da prefeitura?”, ressalta.
Ontem, o assunto de interesse apenas familiar ganhou visibilidade política ao se tornar destaque nas rodas de conversas da cidade, principalmente, entre pessoas ligadas ao meio político. O tema era “a polícia esteve na casa de Falqueiro”. O ex-prefeito diz estranhar as denúncias. Falqueiro está preparando um recurso judicial para recuperar seus direitos políticos. A Justiça decretou o ex-prefeito inelegível por cinco anos. O então prefeito teve as contas do exercício de 2003 recusadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Para o Tribunal, Falqueiro teria infringido a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) por ter gastado mais do que devia, e o não repasse de valores da Previdência Social do funcionalismo municipal (Iprep). Em maio de 2005, o Tribunal recusou as contas por unanimidade. Em junho do ano passado, Odail pediu reexame, porém, o TCE, novamente por unanimidade, manteve a decisão inicial de reprovar a prestação de contas.