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Cinegrafista morre eletrocutado

Por Diego Zanchetta | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - A 20 segundos da reportagem entrar no ar, o cinegrafista Hélio Rodrigues Santos, 47 anos, da TV Vanguarda, filiada da Rede Globo no Vale do Paraíba, morreu ontem ao receber uma descarga elétrica estimada em 7 mil Volts - carga sete vezes menor que a de um raio, mas suficiente para gerar uma parada respiratória.

Para os peritos da polícia, fios de alta tensão da rede elétrica podem ter funcionado como um campo magnético, gerando uma descarga no satélite do link (equipamento que permite transmitir imagens ao vivo em reportagens). Os fios em postes da rua e a parábola da antena (que pode ter servido como fio terra da descarga) estariam a menos de 60 centímetros de distância.

De acordo com técnicos da própria emissora e peritos, a distância ideal seria de, pelo menos, 1,5 metro. Também não está descartada a hipótese de a descarga ter sido gerada após a antena ter encostado nos fios de alta tensão. Santos e o repórter Marcelo Hespaña, 33 anos, além do operador Felipe Bezerra, 26 anos, estavam em frente ao Pronto-Socorro Municipal de Taubaté (130 quilômetros de SP).

Por volta das 6h30, eles entrariam ao vivo no programa “Vanguarda TV Bom Dia”, em matéria sobre problemas respiratórios gerados pelo clima seco. No momento da descarga, eles se preparavam para entrevistar uma médica. “Houve uma explosão da antena do link e eu vi o cinegrafista sendo jogado longe”, disse à reportagem o comerciante Demerval Magalhães, 37 anos, que depôs à polícia como testemunha do acidente.

O operador e o repórter tiveram ferimentos leves, e a médica nada sofreu. Com um cabo plugado em sua câmera, o cinegrafista - que estava a cerca de 80 metros distante do link - recebeu o choque. Ele foi lançado a uma distância de cerca de três metros, de acordo com testemunhas.

O cinegrafista teve queimaduras no tórax e parada respiratória. “Ele ficou mais um tempo no chão tremendo, recebendo a descarga”, contou o operador. Santos chegou a ser socorrido no hospital, mas não resistiu.

Carreira

O cinegrafista estava desde abril de 1988 na afiliada da TV Globo no Vale do Paraíba, que hoje pertence ao empresário José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Casado e pai de uma filha adolescente, Santos era o funcionário mais antigo na redação da emissora, segundo os próprios colegas de trabalho. Ontem, cerca de 200 pessoas estiveram à tarde no velório, em Taubaté, onde o cinegrafista morava há 30 anos. O enterro acontece hoje às 10h.

A TV Vanguarda lamentou o ocorrido e espera o trabalho da perícia para saber as causas do acidente. “Houve uma descarga, agora as causas vamos ter de apurar. Por enquanto não posso dizer nada conclusivo. Só que perdi um grande amigo”, afirmou o delegado-seccional de Taubaté, Roberto Martins de Barros. O diretor de Saúde da cidade, Pedro Henrique Silveira, diz acreditar, com base em relatos de funcionários do pronto-socorro, que houve um contato entre a antena do link e os fios da rede elétrica.

Exemplo

Um “professor” para os jovens iniciantes no jornalismo, o cinegrafista Hélio Rodrigues Santos, 47 anos, morto ontem, foi descrito pelos colegas de televisão como um apaixonado pela profissão, principalmente quando fazia reportagens sobre a questão ambiental.

Santos era um dos cinegrafistas mais antigos da região do Vale do Paraíba e contratado da afiliada da TV Globo em Taubaté desde abril de 1988. No velório ontem à tarde, cerca de 200 pessoas, a maior parte parentes e profissionais da imprensa, lamentavam a morte de Santos. “Eu comecei trabalhando com o Hélio, era uma pessoa sempre bem-humorada, sem crise. Era o que mais tinha paciência com os repórteres novos que entravam na emissora”, lembrou o cinegrafista Silvano Basílio, 48 anos. “Trabalhei 20 anos com ele e posso garantir que nunca tomamos um choque fazendo link. Foi uma fatalidade sem tamanho”, completou.

Segundo amigos, Santos tinha “faro de repórter”, mesmo sem ter concluído curso superior e trabalhando como cinegrafista na empresa. “Todo mundo aprendia um pouco com ele. Nunca reclamava das pautas”, relatou uma colega de trabalho, que pediu para não ter o nome divulgado. Durante o velório do cinegrafista, os parentes, abalados, não quiseram dar declarações para a reportagem.

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