Na edição do dia 28 de setembro do JC, tive o prazer de ler o artigo: “Um tesouro a ser reconhecido”, do senhor José E. Moura, referindo-se aos idosos: "Em sociedade, os idosos são as pessoas que mais devem ser valorizadas como símbolos de experiência e sabedoria”.
Sou um idoso respeitado na família e na sociedade em que vivo. O que, infelizmente, não acontece com a maioria dos idosos neste país que não recebem o respeito que lhes é devido. Muitas são as informações nos jornais, Tvs e rádios das agressões, do abandono dos “velhos”, dos moradores de rua vítimas de brutalidades por pessoas desumanas.
No Brasil, quem tem 40 anos de idade é considerado “velho”; as conseqüências do trabalhador com aptidão e sem emprego por ter 40 anos, são danosas e preocupantes junto à família e a sociedade.
A experiência e sabedoria citadas no artigo do Senhor Moura, não estão merecendo a mínima consideração da sociedade de forma quase total; e muito menos dos empresários que fecham suas portas não empregando essas experiências e sabedoria porque são “velhas”.
Apenas como exemplo positivo, quando tinha 65 anos de idade fui contratado por uma firma (Plasútil-Bauru) onde trabalhei quase dez anos ocupando cargos de confiança e, sem qualquer presunção, ajudei-a a crescer com a minha experiência.
É lamentável que o empresário não tenha visão para a experiência e sabedoria dos idosos que não são, como muitos pensam, bananeira que já deu cacho. Recentemente enviei currículo para empresa que incluiu idosos nos seu anuncio. Nos olhos do jovem arde a chama. Nos dos velhos brilha a luz. (Vitor Hugo)
E o aposentado? E os governos? Sabemos que muitos aposentados fazem “bicos” para aumentar um pouquinho a renda para sobrevivência com a mínima dignidade. Enquanto cobram-lhes impostos, divertem-se, o presidente da Nação, os senadores e deputados, quase todos ou todos idosos também, devorando pizzas assadas no forno da pouca vergonha, da imoralidade e do desrespeito aos eleitores “velhos” e ao povo em geral.
Enquanto os aposentados sofrem no INSS para cuidarem da saúde nos “SUStos” da vida, enquanto continuam sendo enganados com as tolas bondades como meia-entrada nos cinemas e teatros, (como se pudessem freqüentá-los) prioridade nas filas, ônibus de graça e outras demagogias, os políticos ficam enredando dentro das câmaras em beneficio próprio com a maior cara-de-pau gozando na cara do eleitor idoso.
Deus queira que os empresários reflitam no caso das contratações de empregados capazes, são tantos, com 40 ou mais anos de idade.
Deus queira que os corações dos governantes, dos políticos, acordem para a triste realidade do idoso neste país maravilhoso tão mal conduzido por homens sem qualquer sensibilidade cristã e sentido patriótico. Não sabemos a idade d’Ele. Sabemos apenas que Deus é um idoso benigno. Permita-me, sr. José E. Moura, observar que não uso relógio de pulso como acessório. Uso-o para contar a agradecer a Deus os meus oitenta anos de vida; uso-o para contar o tempo de esperança de que um dia, possamos viver como no Japão: “O respeito e a preocupação com o bem-estar dos idosos é muito marcante. Os japoneses dão muito valor aos pais; o dever filial e nas relações sociais, sempre há espaço para a valorização dos mais velhos”. No Japão, em 18 de setembro, comemora-se o “Dia do respeito aos idosos”.
Uso-o ainda para o tempo de ler valiosos artigos como o seu. “Para o ignorante, a velhice é o inverno da vida; para o sábio, é a época da colheita. (Talmude / data de 449 aC. de leis e tradições do judaísmo)”.
Munir Zalaf - escritor - RG 2.726.959