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Melhoria contínua: Remuneração limitada


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Existe algo que em todo o mundo e em todos os idiomas tem a mesma pronúncia. Experimente pisar nos calos de um russo ou americano, de um árabe ou judeu, culto ou inculto, e verá que sua reação será gritar: ai, ai, ai. É o idioma da dor. Da mesma forma, é dito popularmente que o bolso é a parte mais sensível do ser humano. O bolso nesse caso, de forma metafórica, significa o dinheiro que a pessoa ganha ou possui. Também em qualquer língua isso é entendido com facilidade.

Gostei muito da sugestão de Jack Welch e sua esposa Suzy, na coluna “Agenda do Líder”, da revista Exame de 12 de setembro de 2007, sobre como acertar na contratação de novos funcionários. Eles sugerem testar o candidato em relação aos valores centrais da empresa, fazer muitas entrevistas com o mesmo candidato, certificando-se de ouvi-lo atentamente sobre o que diz e o que não diz.

Eles sugerem também uma técnica simples e estimulante denominada Índice de Contratações Bem-sucedidas (ICBS). Todos os candidatos a uma vaga em sua empresa devem ser entrevistados por pelo menos três pessoas além do executivo que está contratando. Cada entrevistador deverá concluir sua entrevista com um voto de “contratar” ou “não contratar”. Não há meio-termo. Avançando por volta de seis meses no tempo, o desempenho do novo contratado é avaliado por seu líder.

Suponhamos, por exemplo, que determinado executivo tenha entrevistado e aprovado dez candidatos e, seis meses depois, oito deles tenham apresentado um desempenho acima das expectativas. O índice de contratações bem-sucedidas dele seria de 0,8. Essa pontuação deixa claro que o entrevistador é uma pessoa com excelente capacidade de avaliação e, portanto, deveria ser recompensada por isso.

Na fala do casal Welch percebe-se a cultura empresarial de reconhecimento, característica comum de países avançados e competitivos, que possuem leis trabalhistas evoluídas e, principalmente, flexíveis. Infelizmente no Brasil ainda possuímos um sistema de leis trabalhistas arcaico que impossibilita remunerações espontâneas, baseadas em resultados aleatórios, trazendo como conseqüências empecilhos para o aumento de produtividade.

O ser humano precisa de riscos e perspectivas para se motivar. As pessoas mudaram os níveis de consciência, as organizações mudaram suas formas de gestão, a tecnologia se transformou totalmente, o mundo mudou, mas as regras de trabalho continuam praticamente as mesmas. Até quando teremos essas forças na contramão?

Davison de Lucas é diretor da M.Davison & Associados, consultor organizacional e palestrante.

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