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Segurança de escola rompe estigma e conquista alunos

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Seguranças têm que passar imagem de força, ter cara de poucos amigos e impor respeito, certo? Pode ser que em determinados ramos de atividade essa máxima seja verdadeira. Mas para Carlos Eduardo Ignácio, 37 anos, o que vale mesmo é conversar olho no olho, de igual para igual, usando a psicologia para proteger e orientar os alunos de um colégio particular do bairro Higienópolis. Com essa característica e herdando a simpatia (e até certa semelhança) do conhecido e engraçado amigo do personagem de desenhos animados Fred Flintiston, o “segurança-psicólogo-amigo” Barney (como é conhecido desde a infância) se transformou em amigo de crianças e adolescentes, muitos com menos da metade da sua idade.

A forma física de Barney e a cara fechada não impressionam tanto. Mas é só engatar um papo rápido e já é possível perceber porque ele conseguiu cativar todo um colégio, chegando ao ponto de ser semanalmente convidado para participar de festas promovidas pelos alunos. Com jeito meio desconfiado, ele conta um pouco do que é perguntado, mas sempre sem expor detalhes, que podem ferir outras pessoas. Na presença de colegas de trabalho, uma rápida troca de olhares é motivo para risadas. “O segredo é trabalhar certo, honestamente e conversar. Não tem outra coisa”, explica, humildemente, o segredo de conseguir respeito sem impor força física ou pressão psicológica.

Ele trabalha há nove anos como segurança, sendo seis deles no mesmo colégio. A jornada é árdua. Das 9h às 17h ele está atento a tudo o que ocorre nas imediações da escola. Qualquer movimentação estranha e: “quando é preciso a gente aborda na conversa e, dependendo do caso leva até a direção”, explica. Durante os finais de semana à noite e quando surge a oportunidade, ele faz bicos em festas e eventos que ocorrem na cidade.

Barney não esconde a preferência pelo trato com os adolescentes e os tem como verdadeiros amigos. “Conviver com tanta gente jovem é um negócio diferente. Você aprende muita coisa com eles e acaba virando amigo. Eles lembram de você e convidam para eventos que normalmente não convidariam”, afirma. “É gostoso aparecer nem que seja apenas por um minuto e perceber a cara de satisfação (com o comparecimento)”, revela.

Com simpatia e conversa, ele conquistou a confiança também de pais dos alunos. A inspetora da escola conta que Barney muitas vezes faz o papel de segurança particular. “Existem pais que passam por aqui e avisam que vão atrasar para buscar o filho. Ele dá o recado e aconselha o jovem, principalmente no período da noite”, revela Márcia Cristina Garcia. “Realmente ele é muito querido e envolvido no cotidiano das crianças. Elas se sentem muito mais seguras e protegidas”, completa.

Barney garante que não é cara de brincadeira, principalmente em serviço. Ele confessa que muitas vezes funciona como confidente, mas reservado não revela nenhuma história da qual já foi conselheiro. A última festa que participou com os colegas foi no sábado retrasado. Um aniversário de 15 anos comemorado por um aluno amigo. Para o próximo final de semana já tem outros convites. E assim o ciclo de confiança vai se perpetuando semana a semana.

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