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Demanda por leite humano aumenta

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Com a crescente demanda de crianças com indicação médica para receber doação de leite humano como tratamento de saúde, o Banco de Leite de Bauru está passando por dificuldades para manter seu estoque. Para dar conta da atual defasagem, seria preciso um número bem maior de mulheres que se dispusessem a doar parte de seu tempo e esforço para reabastecer com leite as geladeiras da instituição.

Atualmente, o banco trabalha com estoque de apenas 20 litros de leite, capazes de garantir o abastecimento de pedidos em até uma semana. O ideal seria que houvesse um estoque de, no mínimo, 100 litros, para suprir a demanda de três meses. “Até o leite passar pelo processo de pasteurização, pelo controle de qualidade e ser entregue, se tivermos um imprevisto ou uma urgência, o atendimento já pode ficar comprometido”, afirma Maria Nereida Panichi, nutricionista e coordenadora do Banco de Leite

Segundo ela, a dificuldade em manter o estoque é causada pela crescente demanda gerada pela divulgação dos benefícios do aleitamento através de constantes campanhas. “A demanda de saída está sempre aumentando em razão do reconhecimento da ação terapêutica do leite. Temos muitas doadoras, mas sempre estamos com o estoque em falta”, observa.

De acordo com levantamento elaborado pela entidade, no ano 2000 houve 1.818 doações, com 1.009 litros de leite coletados, que foram distribuídos a 2.363 crianças. No ano seguinte foram 1.578 coletas, totalizando 922 litros para serem doados a 3.262 receptores. Ou seja, em 2000 havia um doador para cada 1,3 receptor. Seis anos depois, essa proporção subiu para 2,07.

Prioridade

Em função da escassez do produto, o banco procura estabelecer uma lista de prioridades de atendimento, distribuindo o leite primeiramente para os hospitais e depois para as crianças que estão em tratamento doméstico. “Se não podemos oferecer tudo que as crianças que estão em casa precisam, redistribuímos o que podemos oferecer. Para que não falte para ninguém, trabalhamos com o estoque bem baixo”, revela Nereida. Para tentar reverter a situação, o banco desenvolve campanhas periódicas em maternidades e na rede básica de saúde para sensibilizar as mães da importância de se tornar uma doadora de leite.

Além disso, o banco em Bauru também participa, junto com a Rede Nacional de Bancos de Leite Humano (RedeBLH-BR), de campanhas promovidas pelo Ministério da Saúde, como as atividades desenvolvidas ontem em todo País para comemorar o Dia Nacional de Doação de Leite Humano.

Instituída em 2003, a data foi estrategicamente escolhida para coincidir com o período que antecede o verão, estação do ano em que há uma significativa redução dos estoques dos bancos. Desta vez, a campanha que está sendo utilizada pelos bancos de leite é “Para você é leite. Para a criança é vida. Doe leite, a vida agradece”.

“No final do ano, há uma queda na doação ao mesmo tempo em que há aumento da demanda e os bancos acabam por ficar sem estoque”, explica Nereida. Segundo a nutricionista, acredita-se que com a chegada das férias, viagens e festas de final de ano, as pessoas não se sentem estimuladas a doar leite humano. Por outro lado, é também nesse período de calor que o número de doenças aumenta, com ênfase nos problemas gastrointestinais e de desidratação.

A poucos meses da chegada do verão, o banco busca novas parceiras para colaborar com a manutenção do trabalho desenvolvido pela instituição há 23 anos. De acordo com Nereida, as mulheres interessadas em se tornar doadoras devem entrar em contato com o banco de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, pelo telefone 3226-3227. As voluntárias devem ser saudáveis, com excesso de leite no peito e não estar utilizando medicamentos que impeçam a doação.

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