A partir desta semana, o Hospital Unimed de Bauru (HUB) inicia o processo de captação múltipla de órgãos após doação. A unidade hospitalar está credenciada no Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e finalizou o processo de convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS), que permite realizar os procedimentos para oficializar a retirada de órgãos transplante.
Até então, eram quatro instituições de Bauru capacitadas para captar órgãos. Uma equipe de oito profissionais do HUB – dois médicos, quatro enfermeiras e duas assistentes sociais – estão diretamente ligados ao processo de abordagem das famílias de pacientes que tenham morte encefálica comprovada e condições para a doação.
O hospital também possui médicos aptos para a retirada de córneas e rins. Em caso de doação de múltiplos órgãos, são acionadas equipes cadastradas no SNT para virem até Bauru realizar a coleta.
De acordo com a médica Amélia Trindade, coordenadora da Organização de Procura de Órgãos (OPO) da região, o HUB pode iniciar a qualquer momento os procedimentos para captar órgãos doados. Ela lembra que a fila de pessoas à espera de transplantes no Brasil é extensa. “São 30 mil pessoas à espera de um rim e 24 mil de uma córnea”, afirma.
Apesar de figurar entre as regiões que mais captam doadores de órgãos no Brasil, o quadrilátero compreendido entre as cidades de Avaré, Bauru, Botucatu e Jaú está longe de atingir índice que possa resolver o problema da fila para transplante. Na área compreendida por esses municípios, para cada milhão de habitantes, existem dois doadores a mais do que a média nacional. No entanto, o número ainda é três vezes menor do que o ideal para resolver a questão da fila para transplantes.
Segundo Amélia, a média nacional de doadores é de 5,4 pessoas para cada um milhão de habitantes. “Na nossa região, comemoramos o nosso índice, que chega a 7,6 doadores por milhão”, revela. “No Brasil, este é o terceiro ano consecutivo em que as doações sofrem redução. Na nossa região, ainda estamos longe de resolvermos o problema da fila de espera. Seria necessária uma média de 20 doadores para cada um milhão de pessoas”, avalia.
Sensibilizar para a vida
O passo mais importante após o fechamento do protocolo médico que comprova a morte encefálica do potencial doador e condições favoráveis dos órgãos para transplante, é a abordagem da família.
“A população brasileira é generosa quando está bem informada”, afirma Amélia Trindade. Para ela, o número reduzido de doação deve-se mais à falta de informações corretas do que à ausência de desejo em ajudar o próximo. Se as famílias estiverem bem informadas sobre o procedimento, as chances de reduzir as filas de espera e o número de mortes das pessoas que aguardam por um transplante serão cada vez maiores. Segundo a médica, no ano passado das cerca de 1 milhão de mortes registradas no País, apenas 357 foram revertidas em doações de órgãos.
No HUB, os membros da equipe de captação de órgãos para transplantes foram treinados para esclarecer todas as dúvidas dos familiares sobre o processo. Os principais questionamentos são sobre o que significa a morte do cérebro, uma vez que o coração ainda bate; e, em caso de retirada dos órgãos, as condições do corpo após o procedimento. De acordo com a coordenadora da OPO, há todo um cuidado no processo para que a morte cerebral seja comprovada como fato irreversível e para que a aparência do doador permaneça sem comprometimento.
No Estado de São Paulo há 10 regiões de captação de órgãos para transplantes da Secretaria de Estado da Saúde. Bauru está ligada à OPO sediada no Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu.
A lista de pessoas à espera de transplantes é centralizada pela SNT, obedecendo a critérios específicos para o recebimento dos órgãos doados. Primeiro são verificados os potenciais receptores no Estado de origem da doação. Caso não haja compatibilidade, o órgão segue para a lista de espera nacional.