A menos de um mês para a eleição que vai escolher a nova diretoria da Academia Bauruense de Letras (ABL), marcada para o dia 14 de novembro, membros da entidade e candidatos à presidência trocaram ofensas durante a reunião mensal do grupo realizada anteontem à tarde.
Depois do encontro, o atual tesoureiro, Caleb Patrício de Barros, registrou um Boletim de Ocorrência (BO) denunciando “uma aparente omissão de depósito da receita no valor de R$ 4.492,17”, diz o texto. Segundo Barros, o número apresentado abrangeu os anos de 2003 e 2005, quando ele exerceu a função de presidente da comissão de contas da ABL.
Com a ajuda do contador Marco Antônio Montovani, Barros analisou apenas a receita da entidade nesses anos, comparando o relatório feito pela tesouraria com os extratos bancários da época. “Os números não batem. Como as contas desse período ainda não tinham sido analisadas, eu fiz isso agora. Entreguei o relatório no dia 28 de setembro ao presidente da Academia (Munir Zalaf)”, comenta.
Zalaf, no entanto, afirma que só recebeu o relatório na semana passada e, como providência, convocou anteontem uma comissão formada por três acadêmicos que deve coletar informações tanto da parte do acusado, quanto do acusador.
Caso a comissão chegue a uma conclusão antes da próxima reunião, prevista para o dia 14 de novembro, o presidente não descarta a possibilidade de uma reunião extraordinária. “É do interesse da Academia que isso seja esclarecido antes das eleições”, afirmou o presidente. Após ser concluído, o relatório da comissão terá que ser apresentado a todo colegiado da ABL, formado por 28 membros. “Como presidente, eu não posso defender, nem acusar. Fico apenas na expectativa da comissão julgadora, mas estou muito tranqüilo”, ponderou Zalaf.
Barros disse à reportagem desconhecer a decisão do presidente de formar uma comissão para apurar as denúncias, mas ficou satisfeito com a medida. “Se for verificado que houve uma conduta dolosa, uma apropriação indébita, será comprovada uma infração por falta de decoro e aí os responsáveis deverão ser expulsos”, colocou o acadêmico, que recorreu ao BO “para não ser conivente”, explicou. Tanto Barros como Zalaf são candidatos à presidência da ABL para o biênio 2008-2010.