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Sedare dolorem divinus est


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O ser humano conquistou, nos últimos dois séculos, inúmeras vitórias em várias áreas da sua atividade, que, sem dúvidas, lhe proporcionaram extraordinários e valiosos benefícios. Dominou a distância, o átomo, as comunicações e as infecções; desvendou a genética, consolidou os transplantes e um sem número de conquistas outras que lhe trouxeram bem-estar, segurança, a prevenção e a cura de uma infinidade de doenças, além do aumento da longevidade.

Ao lado desses benefícios já citados, um aqui vai ser distinguido e destacado como dos mais valiosos e reconhecidos - o domínio da dor.

Há aproximadamente um século e meio, esta conquista não havia sido ainda realizada e as várias tentativas de abolir essa insuportável reação eram, desde os tempos mais remotos, as mais ineficazes e devastadoras.

Houve, por assim dizer, uma descoberta que se fez domínio. Foi sendo divulgada e difundida nos mais variados recantos do nosso planeta como prêmio maior para todos os que se achavam envolvidos nos problemas médico-cirúrgicos, onde a dor era a constante, perturbadora e insuportável.

Gradativamente, uma grande variedade de produtos químicos e técnicas de aplicação foi aprimorada, ao longo do tempo, por profissionais da área médica que abraçaram a ciência e a arte de abolir a dor - a anestesiologia.

Ela veio para permitir aos cirurgiões abordarem os mais variados recantos dos órgãos, aparelhos e sistemas do nosso corpo no seu nobre ofício de erradicar enfermidades, realizar um sem número de procedimentos que pudessem resultar no bem estar e na integridade física e funcional do indivíduo, reintegrá-lo na sociedade e ainda permitir que processos diagnósticos invasivos pudessem ser contornados sem nenhuma dor.

A figura do anestesiologista passou a ser o suporte dos centros cirúrgicos. É o profissional que está empenhado em reconhecer a fisiologia humana, a farmacodinâmica dos produtos que utiliza, sua biotransformação e toda a dinâmica que envolve aparelhos de última geração, que lhe permitem a observação, a evolução e o controle de todo o procedimento, a fim de que o paciente suporte todo e qualquer ato cirúrgico, por mais complexo que seja, sem nenhuma reação nociva.

Este profissional deve ter, pela complexidade dos atos que realiza, uma sólida formação e qualificação. Elas só podem resultar de estudos em profundidade, residencias, cursos e concursos que lhes imprimirão um elevado grau de conhecimentos na area, imprescindíveis para quem necessita do seu ofício.

Hoje, não se deve mais afirmar, como de costume noutros tempos, que pacientes a serem submetidos a intervenções tenham mais medo da anestesia do que da cirurgia propriamente.

Os anestesiologistas se sentem muito honrados e gratificados quando, com seus procedimentos, exercem esse domínio sobre a dor, proporcionando, assim, aos ilustres cirurgiões a possibilidade para as mais variadas e arrojadas intervenções a que se propuserem para tratar um grande número de enfermidades. A Bíblia Sagrada, no Gênesis, num dos seus versículos, afirma: “ E Deus mandou um profundo sono a Adão…”. Sem dúvida, está registrada aí a primeira anestesia. Ou, ainda, a sentença Latina: Sedare dolorem divinus est (cuja tradução é: obra divina sedar a dor), nos deixa grandemente contentes. Nós nos sentimos na melhor companhia.

Texto escrito pelo inesquecível Olegário L. Bastos, aqui reproduzido pelo Serviço de Anestesiologia “Olegário L. Bastos” em homenagem póstuma, aproveitando o Dia do Anestesiologista, comemorado em 16/10

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