Minha história se passa em Bauru, no ano de 1996. Minha esposa (49 anos) e minha filha (20 anos) estão visitando uma amiga (43 anos). É uma casa de classe média alta, situada na rua Rio Branco, no Jardim Estoril IV. Quando elas já se encontram no portão, na despedida, surgem do nada quatro menores armados cada um com um revólver. A dona da casa, minha esposa e minha filha são imediatamente colocadas para dentro da residência. Eles querem dinheiro, jóias e eletrodomésticos. Pretendem levar tudo no meu carro, que está estacionado em frente à residência. Minutos depois, um vizinho, percebendo a estranha movimentação na casa, toca a campainha, para saber o que está ocorrendo. Ele é colocado para dentro da casa, sob a mira de revólveres.
A dona da casa é dotada de excelente quociente intelectual, mas por atos inconseqüentes demonstra não ter um bom quociente emocional. Toma atitudes extemporâneas. Primeiro: aproveitando-se de um descuido dos menores, tenta prendê-los num quarto, sem obter sucesso. Segundo: aproveitando-se de outro descuido deles, tenta em vão soltar cães da raça fila que estão presos. Terceiro: tenta determinar o que eles devem ou não devem levar, muito embora tudo esteja protegido por seguro contra roubo. O pior só não acontece porque minha esposa (uma psicóloga clínica) a todo momento tenta acalmá-los, conversa com eles amigavelmente, ganhando a simpatia deles.
Num determinado momento, o mais esperto deles tem um lance de sagacidade: se eles colocaram o vizinho para dentro da casa, fatalmente a esposa dele irá chamar a polícia pela sua demora em retornar. Resolvem ir embora. A Polícia Militar chega rapidamente, mas não consegue pôr as mãos nos meliantes, que levam o que podem nas mãos. Depois de uma semana, minha esposa e filha são convidadas a ir até a delegacia de polícia, para reconhecimento dos menores infratores. O vizinho não comparece. A dona da casa também não vem, mandando um advogado para representá-la. Sem pensar na proteção das vítimas, um escrivão de polícia quer saber o nome e o endereço de minha esposa e minha filha. Mas faz isto na presença dos quatro menores. Há a possibilidade de uma vingança por parte deles. Assim sendo, minha esposa e filha sabiamente dizem que não podem afirmar que eles são os que assaltaram a casa. Os menores são então liberados. Sempre faço questão de contar esta história, passada há mais de 11 anos, para aqueles que, lá em Santos, minha cidade natal, dizem que desejam morar em uma cidade do Interior, onde a vida é mais tranqüila, para se viver na aposentadoria...
Gilberto Sidney Vieira