Polícia

História de amor termina em ‘cinzas’

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A história de amor de dona Cida e seu José nos remete às crônicas do jornalista e escritor dramaturgo Nelson Rodrigues. Há quatro anos, a dona de casa Aparecida Felipe Francisca Bertozzi, 46 anos, foi morar com José Antonio, 69 anos. A casa simples, construída no cruzamento das ruas Joel Jose Sinhoreti com Brasílio de Carvalho, no Jardim Marília, estava em pé - com tudo o que uma casa tem que ter: televisão, geladeira, sofá, cama e utensílios.

O amor do casal se esvaiu com a rotina e o pedreiro não aceitaria a separação. Dizia que sofria do coração e ameaçava de morte a companheira toda vez que ela tentava colocá-lo para fora ou sair de casa. Cenas e boletins de ocorrências de brigas do casal faziam parte do dia-a-dia dos vizinhos, que acompanhavam o drama da separação, da janela, do portão ou mesmo emprestando o ouvido para o desabafo da mulher.

A vizinha Juraci Maria da Silva é prova de que a separação não estava indo bem. “Ele ameaçava matá-la. Ela queria ficar no barraco, ele dizia que o terreno era dele”, conta.

Ontem, um domingo ensolarado, o casal teria começado a brigar logo cedo. Na hora do almoço, por volta do meio-dia, ele teria ameaçado a companheira com uma faca. Ela saiu para acionar a polícia. Ele foi atrás. Ela embarcou no ônibus circular e ele também. Porém, ele desceu e voltou para casa.

Segundo testemunhas, ele não titubeou: amontoou sacos de cimento vazios e ateou fogo. Com um dos sacos em chamas, foi colocando fogo em outras partes da imóvel de quatro cômodos.

A vizinha Juraci Silva tentou segurá-lo, mas não teve forças. O fogo se alastrou. Ela acionou a polícia e o Corpo de Bombeiros. Com o acesso difícil, o caminhão demorou mais de cinco minutos e, quando chegou, a construção já estava no chão.

Dona Cida não viu seu sonho queimando. Quando retornou, o barraco e todos os seus pertences já tinham virado cinzas. Ela chorou, gritou e pediu justiça no ombros dos amigos e filhas.

Atormentado

José fugiu e teria tentado se embrenhar no matagal. Mas os vizinhos, revoltados, queriam linchá-lo. Dona Cida não merecia isso, diziam. A polícia acudiu o homem antes do linchamento.

Salvo da fúria dos vizinhos, José foi encaminhado para o Pronto-Socorro da Bela Vista, onde foi medicado e passou a tarde dormindo. Posteriormente, foi levado para a delegacia, onde foi autuado em flagrante por incêndio criminoso.

Ela, depois do registro de praxe na delegacia, pegou o ônibus e voltou para o bairro, onde vai ficar na casa das filhas.

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