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Atitude dos pais pode piorar gagueira

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

Se a gagueira ainda é alvo de preconceito e crendice, por outro lado o tema é desmistificado cada vez mais pela ciência. Estudos recentes descobriram que o comportamento dos pais diante da alteração da fala de seus filhos pode influenciar o distúrbio, prejudicando ou ajudando a criança.

Ontem foi comemorado o Dia Internacional de Atenção à Gagueira, e neste ano a temática da campanha desenvolvida por entidades ligadas ao setor é voltada para a gagueira infantil. Entre 3% e 5% da população do País tem o distúrbio.

A gagueira pode ter várias causas, entre elas a genética. “Se há casos na família, existe uma predisposição”, explica a professora do curso de fonoaudiologia da Universidade do Sagrado Coração (USC) e especialista no assunto Eny Neves.

Se for acometida por um trauma, a criança também pode desenvolver o distúrbio. Mas é falsa a crença de que um susto pode deixar alguém gago. “Ninguém fica gago porque se assustou. Também é lenda dizer que o gago tem pensamento mais rápido do que a fala, porque isso acontece com todas as pessoas”, diz.

Quando o lado emocional da criança está abalado, ela pode ter medo de falar e, conseqüentemente, gaguejar. Por isso, a reação dos pais ao perceber a dificuldade do filho é fundamental.

“O ideal é que os pais deixem que a criança termine a pergunta antes de dar a resposta. É preciso ouvir melhor o que seus filhos falam, sempre observando a reação da criança e entendendo seus sentimentos por trás das palavras de seus filhos”, orienta.

Paciência

Os pais também precisam ser pacientes e aceitar a condição do filho. Não devem se aborrecer se a disfluência piorar. “Eles devem apoiar a criança porque se ela se sentir frustrada, pode piorar sua situação”, diz.

Além disso, é importante procurar um fonoaudiólogo logo que o distúrbio aparecer. “Quanto mais cedo o tratamento começar, maiores são as chances de uma boa recuperação”, diz Neves.

Em alguns casos, a gagueira pode ter cura. Senão, há um controle do distúrbio se este for tratado. “A gagueira pode voltar se houver um fator que o desencadeie”, esclarece a fonoaudióloga. O distúrbio pode aparecer a partir dos 2 anos de idade. Até os 4 anos, é normal que a criança tenha algumas atitudes que podem ser confundidas com a gagueira. “Nesta fase, é normal haver alterações na fala e prolongamentos de sons. Mas se forem freqüentes, podem ser indícios da gagueira”, conta.

O tratamento é feito, geralmente, com ajuda de psicólogo ou psicanalista. “Enquanto um profissional faz exercícios com a fala, outro trata o lado emocional”, explica.

A pequena Débora Cristina Ferreira Malaquias, 5 anos, faz tratamento há pouco mais de um mês. Para ela, as sessões realizadas duas vezes por semana se transformam em brincadeira. “Gosto do jogo da memória e de contar a história da chapeuzinho vermelho”, diz. A mãe, Adriana Ferreira Malaquias, 33 anos, já comemora os resultados do tratamento. “Ela está mais falante e mais solta”, conta.

Com sua boneca nos braços, Débora canta canções fluentemente. “Cantar e recitar poesia são atividades prazerosas”, explica a fonoaudióloga.

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