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Sem vigia, Emeii sofre com vandalismo

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Há três meses, a Escola Municipal de Ensino Infantil Integrada (Emeii) Professor José de Toledo Filho, conhecida como “Caiczinho”, no Bauru 16, sofre com o vandalismo. Sistematicamente, todas as segundas-feiras os funcionários da instituição se dirigem ao trabalho aguardando o que encontrarão logo no início do expediente. Na maioria das vezes os depredadores retiram as grades de proteção das janelas, quebram as peças de acrílico utilizados como vidro, destroem trabalhos dos alunos e chegam ao ponto de defecar no lactário do berçário.

Ontem ocorreu o último capítulo da destruição. Durante toda a manhã, os funcionários da Emeii trabalharam na limpeza do pátio e de quatro salas atingidas pelo vandalismo. Como a sujeira era grande, a direção da escola optou por suspender o dia letivo. Com isso, as 122 crianças atendidas pela instituição em período integral tiveram que voltar para casa. Situação que prejudica os pais, na maioria famílias de baixa renda, dependentes do serviço público para poder trabalhar.

Segundo os funcionários da escola, durante todo o ano o vandalismo vem ocorrendo, mas a questão se agravou nos últimos meses. O principal motivador da questão é a retirada da vigilância 24 horas do local no começo de 2007. “No ano passado não sofríamos com isso”, destaca a diretora da Emeii, Terezinha Lúcia Furquim Gusmão. “Mandei vários ofícios para a prefeitura solicitando mais vigilância, inclusive no último feriado, mas não houve resposta”, completa a mulher, que compareceu nas dependências da escola todos os dias para zelar pelo patrimônio.

Invasões

As invasões ocorrem aos sábados e domingos durante o dia, período no qual não há presença de vigia na instituição (eles trabalham apenas à noite). De acordo com a diretora, os vândalos seriam provenientes da escola estadual que funciona no mesmo terreno, a Marta Aparecida H. Barbosa (Caic). “Percebemos que os atos se relacionam com as atividades da Escola da Família (realizada na instituição vizinha). Sabemos até mesmo alguns que seriam os instigadores”, revela.

As professoras, que também participam das operações de limpeza, não se conformam com a situação de trabalho e também com as condições estruturais para as crianças. “Em datas importantes não podemos nem mesmo fazer decorações porque o trabalho que demoramos 15 dias para fazer é destruído num final de semana”, afirma Cibele Martins, que tem 17 anos de rede.

“Como todos os vidros estão quebrados, quando venta forte fica difícil ficar dentro da sala. Quando chover então, vai entrar água e não teremos onde colocar as crianças”, completa Fátima Cristina de Almeida, há 21 anos no serviço municipal.

Nas dependências da Emeii, a reportagem constatou que não existem muros. Ela é cercada apenas por telas metálicas com altura de 1,80 metro, no máximo. Além disso, a construção do imóvel é pré-moldada. Todas as janelas ficam em aberturas no teto, facilmente alcançado com uma rápida escalada através de blocos de cimento vazados. A entrada da instituição faz divisa com as salas de aula da escola estadual. Quando a equipe do JC se dirigia para a diretoria do Caiczinho, vários alunos do Caic saíram na janela para xingar.

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Mãe perde dia de serviço

A autônoma Rosângela Ferreira de Souza, 29 anos, possui quatro filhos pequenos matriculados no Caiczinho. Ela e uma vizinha trabalham em conjunto mas ontem tiveram um dia de pouca atividade. “Temos horários para cumprir e encomendas para entregar. Hoje o dia não vai render muita coisa”, afirma.

Ela mora no Bauru 16 e afirma passar com freqüência pelo colégio durante os finais de semana. “Vira e mexe a gente vê pessoas lá dentro. Toda a segunda-feira a escola aparece arrebentada e quem sofre mais é aquele que precisa. No caso, a gente”, afirma.

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