Quando a pessoa só chega a ficar velha porque não morreu quando era moça, mas conserva da mocidade a capacidade de se indignar contra a injustiça, de lutar pelos seus direitos, de escolher gente de bem para representá-la, então pode ficar velho mas não deixa de ser sempre um cidadão.
Infelizmente, segundo as estatísticas, o Brasil está envelhecendo. E seu envelhecimento se caracteriza pela falta de cidadania, por não se indignar contra a injustiça, por não lutar pelos seus direitos, por não ter coragem de exigir o cumprimento das leis que os favorecem, enfim, pela resignação inútil e nociva dos velhos que nada mais esperam da vida, já deitaram e só estão à espera de que joguem terra em cima deles. Esses sim é que são os verdadeiros velhos, com o sentido de acabados, sem nenhuma função mais na vida e só no aguardo da morte, que é bom mesmo que os leve logo para não ficarem um peso social inútil e caro.
Onde estão os caras -pintadas que, liderados pelo político confiável que foi Ulisses Guimarães, resgataram a democracia no Brasil?
Que bom seria se surgisse outro político, capaz de levantar os ex-caras-pintadas e juntá-los aos novos narizes vermelhos e, todos juntos, moços e velhos, mas velhos ainda capazes de lutar e de sonhar, para restaurar a dignidade dos cidadãos brasileiros, tão ameaçada pela corrupção e pela injustiça que crescem impunemente, sujeitando-nos a todos, moços e velhos, à perda de direitos já adquiridos por gente jovem e lutadora que os conquistaram para todos nós.
Graças a Deus, beirando já à quarta idade, não perdi ainda a capacidade de brigar pelo meu lugar na fila do idoso, mesmo sendo olhada com má vontade por velhos resignados e semimortos, incapazes de fazer o mesmo.
Isolina Bresolin Vianna