Cultura

Miúcha lembra canções e histórias

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Boa música não precisa de história. Porém quando uma boa canção tem uma boa história, ela só enriquece o prazer de ouvir e cantar. Pode ter certeza de que Miúcha tem ótimas histórias e grandes canções para mostrar ao público da região hoje à noite, no show que ela faz na “Série Grandes Nomes” do Alameda Quality Center. A apresentação será no restaurante Beef Street, a partir das 21h, e os ingressos estão à venda no local.

O show que Miúcha traz a Bauru comemora o lançamento de seu último álbum, “Outros Sonhos” (Biscoito Fino). No repertório do CD, canções de nomes tão celebrados na música popular brasileira e com quem a cantora (e eventual compositora) demonstra total intimidade: Chico Buarque, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. “Eles foram os autores com quem eu mais convivi, tinha uma relação grande com cada um deles e foram as pessoas mais importantes na minha vida profissional, aqueles que eu mais gravei”, destaca a cantora, em entrevista por telefone ao JC Cultura.

Na estrada, a caminho de Bauru, ela quebra qualquer protocolo com sua simpatia. “Mas o som é bastante espontâneo, viu? Como não conheço Bauru, quero cantar coisas novas e também as minhas referências. Conto muitas histórias das coisas que eu vi, dos encontros, das músicas que eu assisti sendo feitas, das parcerias acontecendo, com todo aquele clima do Rio de Janeiro”, diz ela, sem pretensão de achar-se acima dos meros mortais que admiram o trabalho desses compositores, com quem ela aprendeu a fazer música.

Miúcha é irmã de Chico e filha do historiador Sergio Buarque de Hollanda. De seu relacionamento com João Gilberto, nasceu Bebel Gilberto - uma das intérpretes e compositoras de maior destaque na nova música brasileira. Na infância, morando em São Paulo, Miúcha assistia às noitadas musicais que seu pai promovia em casa, onde ela começou a tocar violão e cantar com os irmãos. “Aprendi meus primeiros acordes de violão com Vinicius”, relembra.

O “Poetinha” foi tema de seu penúltimo álbum, “Miúcha Canta Vinicius & Vinicius”, com canções de letra e melodia do compositor. “Fiz uma pesquisa grande. Ele tinha muita certeza da própria musicalidade. Talvez se não tivesse conhecido o Tom, Vinicius tivesse desenvolvido mais seu lado de melodista. Achei muita coisa que não tinha a menor idéia que ele tinha feito: canções de amor rasgadas, coisas com mais humor, sambas e até um frevo. Vinicius tinha muitas facetas, muitos talentos”, comenta a cantora.

Dessa “safra”, o público pode esperar, pelo menos, uma certeza: “Pela Luz dos Olhos Teus”, que Miúcha regravou com Daniel Jobim, neto de Tom. Ela já havia cantado a música com o próprio Tom em seu primeiro disco. “Domingo, estou indo para Roma, vou me apresentar lá com o Jobim Trio, com o filho e o neto do Tom. É sempre um reencontro”, exalta-se.

Outros tons

“Outros Sonhos”, que dá nome ao álbum e à turnê, foi composta por Chico para seu último CD de inéditas, “Carioca”. A versão de Miúcha é doce, primaveril: “Sonhei que o fogo gelou/ Sonhei que a neve fervia/ Sonhei que ela corava/ Quando me via”.

“É uma música sobre sonhos e absurdos”, diz Miúcha, e lembra que o disco termina com “Todo Sentimento” (de Chico e Cristovão Bastos), quase um contraponto: “Preciso não dormir/ Até se consumar/ O tempo da gente/ Preciso conduzir/ Um tempo de te amar/ Te amando devagar e urgentemente”, diz a letra.

Segundo a cantora, a apresentação deve ter também algumas canções mais antigas e outras que os fãs sempre lhe pedem. “Quero cantar ‘Maninha’, que o Chico fez para mim, e ‘João e Maria’. Tem também ‘Você Vai Ver’, que estava na trilha de ‘Paraíso Tropical’. Ah, vamos abranger algumas décadas de música!”

Sobre boa música do século 21, Miúcha cita os primeiros nomes que lhe vêem: Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo. “Não sou fã exatamente do som dos Los Hermanos, mas acho as letras deles maravilhosas. No samba, tem a Teresa Cristina, uma compositora maravilhosa, do maior nível. Gosto muito também da Simone Guimarães, que vem fazendo um trabalho com o Guinga, que também acho o máximo”, cita, e completa:

“Tem muita gente que enxergo com bons olhos e ouço com bons ouvidos (risos). Só acho que as gravadoras não estão dando o devido espaço a novos talentos, mas mesmo assim conseguimos ver muita gente”, afirma.

Mãe orgulhosa, ela não se esquece da filha. “Você precisa beber (da música) e fazer sua leitura, criar seu lance. Minha filha Bebel parte sensivelmente de Marcos Valle, Tom e Baden Powell, mas com uma linguagem mais pop, de sua geração”. Alguma nova parceria das duas cantora à vista? “A gente não consegue! Ela mora fora e viaja muito, eu moro aqui e também viajo muito, então é difícil planejarmos as coisas com muita antecedência”, diz.

No show de hoje, Miúcha será acompanhada pelo maestro Leandro Fraga (piano), Jorge Helder (baixo), Ricardo Costa (bateria), Zé Canuto (flauta e sax) e Felipe Poli (violão).

• Serviço

“Beef Street Music - Série Grandes Nomes” apresenta Miúcha hoje, a partir das 21h, no Alameda Quality Center (altura do quilômetro 335 da Rodovia Marechal Rondon). Ingresso: R$ 79,90 por pessoa, com jantar, parcelado em três vezes no Visa ou dez vezes no American Express. Venda de mesas de dois, quatro ou seis lugares. Mais informações: (14) 3321-5000.

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