Cultura

Miúcha encanta com música e simpatia

Dayran Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

“Quando a luz dos olhos teus e a luz dos olhos meus resolvem se encontrar... Ai que bom que isso é meu Deus, que frio que me dá o encontro desse olhar...”, cantou Miúcha, em uma palhinha dada às equipes de reportagem durante entrevista coletiva, realizada na tarde de ontem. Por esta apresentação singela, já era possível perceber o que viria mais tarde.

Horas depois, ela encantou o público com sucessos de Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Chico Buarque, em mais uma edição da Série Grandes Nomes”, no restaurante Beef Street, no Alameda Quality Center. O repertório era composto por músicas do álbum “Outros Sonhos”, que totalmente dedicado às obras dos três ídolos e mestres.

“Trago neste CD músicas que considero significativas”, explicou Miúcha, sem saber dizer qual delas mais lhe agrada, pois todas a tocam de alguma maneira. “É difícil escolher. Cada uma tem sua particularidade e história. Tratam-se de músicas belíssimas”, respondeu com um grande sorriso.

Não só músicas de seu novo CD estiveram incluídas na apresentação, mas também grandes sucessos da Música Popular Brasileira. Acompanhada pelo maestro Leandro Fraga (piano), por Jorge Helder (baixo), Ricardo Costa (bateria), Zé Canuto (flauta e sax) e Felipe Poli (violão), ela levou ao público canções de várias décadas; umas mais antigas e outras que os fãs sempre lhe pedem como, por exemplo, “Maninha” e “João e Maria”.

Não só belas canções embalaram a noite, mas também histórias de alguém que cresceu em meio à música e que conviveu muito com Vinícius de Moraes e Tom Jobim. Ela, que é irmã de Chico e filha do historiador Sérgio Buarque de Holanda, se considera uma pessoa privilegiada, que pôde acompanhar a produção destes ícones de perto e aproveitá-las em sua formação musical.

Durante a coletiva, a cantora esbanjou simpatia e alegria no olhar ao falar sobre sua paixão por Bossa Nova. Para ela, é um estilo musical muito atraente, que passa a quem ouve boas sensações e vontade de sorrir – aliás, sorrisos é o que não falta por parte da cantora. No entanto, Miúcha acredita não se enquadrar neste estilo musical, apenas conviveu intensamente com pessoas que contribuíram muito para o sucesso da Bossa no Brasil e no Exterior.

Miúcha se mostra, também, uma apaixonada pela variedade de ritmos musicais que existe no Brasil. O frevo, o maracatu, o samba e mais uma infinidade que existe por aí, principalmente no interior do País, são exemplos que ela considera mais que notáveis.

“A musicidade do brasileiro é uma coisa maravilhosa”, afirma a cantora. Para ela, cada região e época tem seus expoentes e muitos deles conseguem transcender gerações.

Atualmente, ela vê com bons olhos cantores que estão surgindo e fazendo sucesso - sua filha Bebel Gilberto, fruto do relacionamento com João Gilberto, é um exemplo. Mas a indicação não é apenas elogio de uma mãe coruja, pois Bebel é uma das intérpretes e compositoras de maior destaque na nova música brasileira. Há, também, outros nomes como Rodrigo Amarante, Marcelo Camelo e Teresa Cristina, “uma compositora maravilhosa, do maior nível no samba”, diz. Simone Guimarães também foi elogiada pelo trabalho que vem fazendo com Guinga.

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