Economia & Negócios

Cheque pode ajudar a controlar gastos

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

Pode parecer estranho, mas o talão de cheques, maior vilão dos endividados no passado, agora pode ser uma boa alternativa para o consumidor ser comedido na hora das compras e se endividar menos com os impostos.

O velho papel de crédito, que já não faz mais parte da vida financeira de muita gente, é considerado pouco prático, além de gerar uma preocupação maior ao usuário quando ele descobre o saldo devedor.

Ao contrário do cheque, o economista Wagner Ismanhoto diz que o cartão de crédito ou débito isenta as pessoas de todos esses incômodos, o que explica a preferência pelo chamado dinheiro de plástico entre os consumidores.

“Parece que o cartão de crédito não gera aquela mesma preocupação que ocorreria com a conta ‘estourada’ no banco por conta do cheque especial. Quando recebemos o extrato, vemos o saldo devedor. Já com a fatura do cartão de crédito não temos a sensação de que estamos devendo. Como ela indica o mínimo a pagar, acreditamos na idéia de que não estamos devendo nada”, analisa Ismanhoto.

Para ele, quando se fala em dívidas existe a tendência das pessoas deixarem para pagar depois. “Em geral, quando a pessoa usa o cartão, não costuma observar o quanto pode gastar ou terá de pagar. Ela leva em consideração apenas o mínimo da fatura que poderá ser pago, o equivalente a 10% do total”, acrescenta.

Especialistas explicam que os juros incidentes na emissão de cheques são menores do que as taxas praticadas nos cartões de crédito, o que é benéfico para o consumidor. Por outro lado, o cheque não é um bom negócio para os comerciantes, que de certa forma, ficam mais vulneráveis ao calote.

Ismanhoto ressalta que tanto o cheque quanto o cartão são modalidades de crédito que podem levar qualquer pessoa ao endividamento, especialmente aqueles consumidores que agem por impulso quando saem às compras.

Entretanto, o uso do cartão pesa mais no bolso se os gastos ultrapassarem os limites do orçamento. “O usuário poderá pagar até 13,5% ao mês de juros ao utilizar o cartão, enquanto os juros do cheque, mesmo do especial, deverão ficar em torno de 6% a 8%”, compara o economista.

Comércio

Para o comércio varejista, apesar das altas taxas cobradas pelas administradoras de cartão de crédito sobre as transações financeiras, essa opção continua sendo mais viável que os cheques.

“Com o cartão temos mais segurança de pagamento, enquanto o cheque não nos oferece essa garantia, embora os juros sejam menores para o consumidor”, comenta Luiz Carlos Andrade de Souza, dono de uma loja especializada em moda feminina no Bauru Shopping.

A opinião é compartilhada pelo presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Luiz Otaviano Machado. Ele diz que, além da garantia de receber o dinheiro da mercadoria vendida, o cartão oferece mais segurança ao comerciante.

“Com ele, é possível manter menos dinheiro nos caixas da loja, evitando prejuízos num eventual assalto. Além disso, quando vendemos um produto no valor de R$ 100,00 e aceitamos um cheque pré-datado para 30 dias, tudo pode acontecer nesse prazo, principalmente o consumidor não ter dinheiro para cumprir o compromisso”, destaca.

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Taxas

Sobre as taxas aplicadas pelas operadoras de cartão de crédito, o presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Luiz Otaviano Machado, diz que é possível ao lojista driblar esse custo. “Os comerciantes costumam embutir esse percentual no preço das mercadorias”, completa.

A preferência pelo cartão em lugar do cheque, no entanto, não é unânime entre os comerciantes de Bauru. Alceu Camargo, dono de uma rede de lojas especializadas em papelaria, informática e materiais de escritório, defende que as vendas feitas com pagamento em cheque são mais viáveis.

“As taxas cobradas pelas operadoras (de cartão) são altíssimas e, mesmo correndo mais riscos de calote, acho que o cheque vale mais a pena”, explica. Conforme ele, as vendas com cartão em suas empresas são 80% maiores do que as transações com cheques pré-datados.

Camargo revela ainda que a inadimplência com cheques não chega a 1%, o que é explicado pelo baixo número de transações por meio dessa modalidade de crédito.

Comerciantes apontam que as taxas cobradas pelas operadoras de cartão de crédito e débito variam entre 3% e 6% sobre o valor negociado em cada venda. As empresas divulgam que esse percentual não ultrapassa 2,5%.

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