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Dentista seqüestrado é obrigado a operar pescoço de bandido baleado

Folhapress
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São Paulo - Um cirurgião dentista foi feito refém e obrigado a operar com apenas um canivete um criminoso baleado. O caso aconteceu no domingo, em uma rodovia que liga a cidade de Vinhedo (a 79 quilômetros de SP) ao aeroporto de Viracopos, em Campinas (95 quilômetros de São Paulo).

L.D.M., 30 anos, retirou uma bala do pescoço de um comparsa de seus seqüestradores e foi libertado 12 horas depois. A vítima foi rendida ao meio-dia em seu carro, uma picape Toyota cor de chumbo. Antes de abordá-lo, três ladrões tentaram assaltar um caminhão que estava na frente do automóvel do dentista. Após o crime frustrado, os bandidos pegaram o dentista e o levaram para o cativeiro, na favela do Jardim Campo Belo, periferia de Campinas.

A vítima contou à polícia que levou socos e chutes. Disse que os assaltantes exigiram os cartões e as senhas dele e saíram para sacar o dinheiro em um posto de gasolina. Segundo relato da vítima, logo depois a quadrilha voltou com outros dois criminosos. Um deles estava sangrando, baleado no pescoço. Apesar de ser dentista, L.D.M. se identificou como médico e sugeriu que os comparsas dele levassem o ferido ao hospital. Os bandidos se recusaram. Um deles jogou um canivete no chão, próximo à vítima e disse: “Tire a bala. Se ele morrer, você morre também”.

A operação não era complicada, segundo o depoimento do dentista. A bala, de baixo calibre (22 ou 32), estava alojada em uma camada superficial do pescoço do bandido. Sob a mira de metralhadoras e somente com um canivete, o refém conseguiu realizar a cirurgia. Agradecidos pelo fato de o dentista ter salvo a vida de um membro da quadrilha, os bandidos liberaram a vítima no começo da madrugada de segunda-feira. Antes de sair do barraco, L.D.M. ainda teve seus cartões e a chave de sua picape devolvidos.

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