Tribuna do Leitor

Radares não educam


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Num país cujos governantes priorizam a instalação de radares em detrimento à disseminação da educação e do policiamento preventivo no trânsito como fatores preponderantes para diminuir a violência que mata milhares de pessoas todos os anos, pouco ou quase nada pode ser levado a sério quando o assunto é prevenção de acidentes.

Nosso país tem um dos trânsitos mais violentos do mundo, acrescido ao fato de que temos uma impunidade total como marca registrada, juntando esses dois fatos entendemos por que aproximadamente 35 mil pessoas são vitimadas em acidentes de trânsito anualmente no Brasil.

O nosso Código de Trânsito está completando 10 anos de existência e já está obsoleto, pois quando foi atualizado visou apenas à possibilidade de nossas autoridades lucrarem com as multas aplicadas por excesso de velocidade, no mais é um código retrógrado, impotente e cujas autoridades deveriam repensar imediatamente sua aplicabilidade.

Dirigir bêbado, sem documentação, drogado ou utilizar veículos sem a mínima condição nas estradas faz parte do nosso cotidiano, pois o que importa são os radares, a velocidade é punida com câmeras digitais modernas espalhadas por lugares onde deveria haver policiais rodoviários bem remunerados e treinados para proteger, orientar e punir tudo aquilo que os radares não conseguem ver.

Uma pesquisa estarrecedora realizada pelo Ibope, constatou que 30% (Trinta por cento) dos maiores de 18 anos dirigem sem possuir habilitação em nosso trânsito. Entre os motoqueiros o índice é ainda mais indecente e preocupante, pois 61% (sessenta e um por cento) dos entrevistados afirmam não possuir habilitação. Não é a toa que temos tantos acidentes envolvendo motoqueiros em nossas cidades diariamente.

O descaso com a fiscalização e punição por parte de nossas autoridades é o maior responsável pela situação caótica de nosso trânsito. Instalar radares a esmo é fácil, difícil é fiscalizar carros rodando nas ruas sem as mínimas condições de trafegabilidade, difícil é investir o que manda a lei com as verbas oriundas das multas aplicadas em favor da educação no trânsito. A lei manda mas eles não cumprem, desviam o dinheiro para outros caixas.

A maioria de nossos governantes é omissa, querem apenas arrecadar impostos, taxas e multas. Milhares de jovens morrem em nossas ruas e nenhum governante consegue definir uma ação sequer para a realização de um trabalho sério de educação para o nosso trânsito. Aliás, será que eles sabem o que é educação?

Boa parte da frota nacional é dirigida por pessoas que não usam cinto de segurança, bebem em demasia antes de dirigirem seus veículos, são displicentes e desconhecem totalmente as regras do trânsito. Em Bauru, por exemplo, uma grande parte dos acidentes poderia ser evitada se uma boa parte dos motoristas soubesse o que é uma via preferencial e obedecessem à placa PARE colocada em todas as esquinas das ruas secundárias com as chamadas vias preferenciais.

Como acreditar nas autoridades de trânsito e em nossos governantes se pessoas criminosas e inescrupulosas dirige ou permitem que seus parentes dirijam sem o pressuposto básico para a segurança nas ruas que é a habilitação? Vai dirigir num país de primeiro mundo sem a habilitação e veja o que acontece. Cadeia!

Rafael Moia Filho

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