Agora, que as companhias aéreas baixam o preço porque começa a esfriar, o glamour se mantém em Paris. Terminaram os desfiles de moda e o Campeonato Mundial de Rúgbi, esporte que a Europa adora. Não haverá tanto turista nos pontos imperdíveis como a Torre Eiffel, a Catedral de Notre Dame e o Louvre, mas sempre haverá filas. Nada que preocupe. A organização é tão grande que as gigantescas serpentes humanas são engolidas em minutos.
Dentro de mais alguns dias estarão acessas as luzes da Champs-Elysées e das fachadas dos grandes magazines, como as Galeries Lafayette, para anunciar a aproximação do Natal. Imagine 16 mil butiques engalanadas.
Paris já é toda iluminada o ano inteiro. Existe até uma secretaria da Prefeitura para cuidar da iluminação dos monumentos públicos e edifícios históricos. Pense como deve ser a eterna Cidade Luz, no final do ano. O frio é perfeitamente suportável, mesmo para um tropicalista brasileiro. A neve não faz parte dos cartões postais de Paris. Se vier, considere-se alguém de muita sorte. Que é que viu a Torre Eiffel branquinha de neve?
Dica número 1. É preciso um tênis bem laceado no pé e muita disposição para andar. Só no ‘pé-dois’ você pode degustar o Arco do Triunfo, Torre Eiffel, Notre Dame, as margens do Sena, Île-de-la-Cité e Île-Saint-Louis, descer o Boulevard Saint-Michel até o cruzamento com o Boulevard Saint-Germain. Ânimo. Há trechos mais longos onde o metrô é recomendado. Fácil de usar e seguro. Não tenha medo dos seus labirintos. Mas andar será sempre uma obrigação. Deixe para descansar em casa.
O Quartier Latin está meio ‘butiquizado’, invadido por lojas de grife como Armani e Vuitton. Nos cafés Aux Deux Magots e Flore (Boulevard Saint-Germain, 170 e 172), freqüentados por Sarte e Simone de Beauvoir, Marx e Lenin e tantos outros intelectuais, as mesas são disputadas a tapas pelos turistas dispostos a pagar R$ 30,00 por um cafezinho. Dos intelectuais nada sobrou...
A esquerda engajada e militante já não existe. O mundo mudou. Resta a satisfação de sentar-se na mesma mesa da qual Hemingway se serviu para escrever “Por quem os sinos dobram”, tendo às vezes por companhia e crítico F. Scott Fitzgerald. Perto dali, para encerrar a tarde, atravesse os portões do Jardin du Luxembourg. Em qualquer estação haverá flores de todas as cores e a grama estará impecavelmente tratada, como se fosse um tapete verde.
A Shakespeare and Company, a mais glamourosa das livrarias de Paris, está no número 37 da Rue de la Bûcherie, às margens do Sena, com vistas para a Notre Dame. A primeira dona, em 1919, foi Sylvia Beach, que em 1922 editou pela primeira vez o romance “Ulysses”, de James Joyce.
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Versalhes de Maria Antonieta e os anos de luxo e riqueza
Impossível ir a Paris e não visitar Versalhes, que está a uns 25 quilômetros da Capital francesa. O palácio é o testemunho do esplendor do grande Século clássico francês. Versalhes surpreende pela conservação, que permite sentir o luxo e a riqueza que lhe deram fama e o tornou símbolo do poder absolutista.
Os 850 hectares de jardins, canteiros de flores, repuxos e bosques são simplesmente extraordinários. Não há outro adjetivo. O palácio originou-se da decisão de Luís XIV de ali se instalar em 1682.
É uma obra-prima do classicismo francês. A Galeria dos Espelhos, suntuosamente projetada por Le Brun, foi palco das maiores festas da história. Os candelabros dourados com os querubins na base, feitos especialmente para as bodas do rei com Maria Antonieta, ainda estão lá, perfeitamente conservados.
O visitante pode ver os aposentos do rei, a sala do trono e o quarto de dormir da rainha. Tudo foi invadido durante a Revolução Francesa. O povo pulava na cama da rainha, presa e decapitada junto com o marido.
Cerca de 20 mil cortesãos chegaram a morar em Versalhes. Festas todos os dias, até que a diversão acabou porque o país faliu.
O espelho d’água do terraço central, a alameda real, os pequenos bosques, o Trianon de mármore do tempo de Luís XIV, a capela de 1669, as 6.000 pinturas antigas, as esculturas e outros objetos de arte fazem de Versalhes única pelo seu esplendor.
É possível ir de trem de subúrbio (RER), desde Paris. Vale a pena uma visita com guia falando espanhol, a 45 erros, com duração de quatro horas, saindo de ônibus especial pela manhã. A Citaram (www.pariscityrama.com) tem ônibus que saem da Placê de Pyramides com a Rue de Rivoli, bem em frente o Louvre e as Tulherias. Essa empresa também tem excursões regulares para outros pontos turísticos da França, como Fontaineblau e Barbizon, Chartres, Mont Saint-Michel, castelos do Vale do Loire e outras excursões de um dia.
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Sacré-Coeur, vinhedos e arte
Depois de visitar a igreja na colina do Sacré-Coeur, de onde Paris parece mais romântica mesmo com uma leve névoa num dia cinza, o turista pode ver o Moulin de la Galette, representado por Renoir em uma das suas pinturas mais famosas.
O passeio vai incluir o Bateau-Lavoir, onde Picasso e Braque tiveram seus estúdios; a casa onde a cantora contemporânea Dalida morou; o vinhedo da Rue de Saules; a Place du Tertre, cheia de pintores, caricaturistas, cabarés e restaurantes.
Tudo continua como antes refletido nos espelhos dos restaurantes art-noveau. Nas entradas do mesmo estilo projetadas por Hector Galimard, em 1900. Algumas novidades não são daquela época, como as 20 mil bicicletas postas à disposição da população.
É isso mesmo! O Velolib – bicicleta a liberdade. São 750 pontos onde o parisiense pode apanhar uma bicicleta e sair rodando até onde queira, por 1 euro, pago no cartão.
O usuário deixa a bicicleta no ponto mais próximo da sua casa – no máximo 300 metros – onde outro cidadão pode alugá-la. Com isso, o prefeito conseguiu diminuir em 20% o trânsito motorizado nas ruas, graças às bicicletas doadas por um empresário de outdoors ao custo de 14 milhões de euros. Só para provar que é possível diminuir o dióxido de carbono lançado à atmosfera pelos veículos a motor.
• Serviço
• O meio mais barato de se conhecer Paris é comprar um pacote com tudo embutido pela CVC (www.cvc.com.br ). O receptivo em Paris é feito pela Ring Tours.
• Em Paris, a Cytirama oferece uma infinidade de excursões guiadas, além do tradicional open–tour (ônibus de dois andares que percorrem todos os pontos turísticos). Compre um passe e não se arrependerá.
• Informações sobre turismo na França nos sites www.franceguide.com (em português) e no www.parisinfo.com.
• Os franceses são amáveis com os brasileiros. Mesmo que você use um livrinho para se comunicar.