O comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), tenente-coronel José Humberto Nardo, negou na semana passada, na volta de suas férias, que os novos integrantes da Força Tática – ou Tático – de Bauru estejam insatisfeitos, desmotivados e queiram deixar as funções que ocupam atualmente. O tenente-coronel se reuniu com a equipe, depois que o JC divulgou, no domingo passado, matéria em que policiais que preferiram não ser identificados demonstraram insatisfação e desmotivação por conta de mudanças efetuadas no último mês de maio, quando 27 policiais foram remanejados para outros postos.
As mudanças foram determinadas pelo então comandante do 4.º Batalhão, o tenente-coronel Pedro Batista Lamoso, após a morte do mecânico Jorge Luiz Lourenço, 22 anos, no início de abril durante perseguição policial. Lourenço foi atingido por um tiro na cabeça. Na matéria de domingo passado, policiais ainda criticaram a mudança de perfil do Tático, que teria ficado mais “light” durante as operações, e disseram que falta treinamento a seus substitutos.
Na reunião, segundo o coronel, foi posta a possibilidade de os “insatisfeitos e desmotivados” serem transferidos para outras funções, se desejassem, já que uma das filosofias do Tático é manter em seus quadros os policiais que queiram ficar. “Mas ninguém quis sair”, afirmou o tenente-coronel Nardo. “Isso demonstra que não há insatisfeitos, já que tivemos uma conversa bastante franca e aberta e todos ficaram muito à vontade para dizer o que pensavam sobre o assunto”, emendou.
O tenente-coronel Nardo acredita que os policiais que deram declarações de insatisfação ao JC possam ter sido motivados pelo filme “Tropa de Elite”, em cartaz em cinemas de todo o Brasil. Ele, porém, deixa claro que não quer ser comandante de uma tropa como a apresentada no filme. “Eles invadem domicílios, atiram pelas costas, praticam tortura, são truculentos, não agem dentro da legalidade. E, sinceramente, não acredito que a tropa apresentada no filme seja a que realmente age no Rio”, afirma. “O que precisamos é de uma tropa, que aja com energia, quando for necessário, mas dentro da legalidade”, completa.
E os policiais do Tático estão preparados dentro dessa filosofia, afirma Nardo. “Usam a força necessária. O policial pode e até deve adotar uma postura mais rígida, mas em caso de risco iminente de morte. Ele não anda armado para matar, mas para se defender, para proteger a vida dele (policial), da comunidade e do marginal. Se tiver de atirar, será o tiro de defesa, para preservação da vida”, diz.
Preparados
O tenente-coronel Nardo ainda afirmou que todos os policiais do Tático estão preparados para agir a qualquer momento. “Os 27 a que a matéria de domingo passado se refere passam por treinamentos e gostam do que fazem. Sobre o treinamento em sala, tratam-se de instruções importantes, já que todos precisam ser orientados para o cumprimento da lei durante qualquer tipo de orientação.
Sobre a mudança de filosofia, o tenente-coronel afirmou que não houve qualquer mudança. “Não criamos filosofia de trabalho aqui, não é criada em Bauru. No Estado todo funciona da mesma maneira. O programa é da instituição Polícia Militar, não de um coronel, de um comandante”, afirma.
Nardo ainda ressaltou que as alterações no efetivo do Tático realizadas no último mês de maio nada têm a ver com a promoção de Lamoso a tenente-coronel. “É importante que se frise que a promoção ocorre por merecimento, independente de quem seja. O candidato tem a carreira toda analisada, passa por várias provas, concorrendo com inúmeros outros candidatos, precisa apresentar projeto e defendê-lo. É um doutorado. Então, não se pode simplesmente dizer que o tenente-coronel Lamoso agiu pelo impulso de prejudicar sua promoção, já que isso definitivamente não ocorreu”, afirma. Referindo-se à morte de Lourenço, o estopim para as mudanças no Tático, segundo os policiais, o tenente-coronel Nardo ainda disse que os policiais, de maneira geral, conhecem a lei e as conseqüências de todos os seus atos praticados durante uma ocorrência.