Almejado ou não, foi alcançado no Brasil o maior sonho possível e imaginável - para os políticos corruptos. O sonho de embargar a esperança de todos os brasileiros em dias melhores, ou ao menos mais honestos. É notável a incessante capacidade deles de despedaçar cada fiapo de luz ao fim do túnel. Como nos mal fadados planos Cruzado, Bresser, Verão. Desses pouco ou nada foi proveitoso. Eis que surge algo com mais matizes no horizonte, Collor. Logo também turvou. Itamar, FHC...
Mas ainda havia alguém. Diferenciado, com ideais esquerdistas, nunca dantes testados e respondendo ao chamado final, deu ao povo o inesperado: o mesmo que seus antecessores. Os portugueses em tempos deploráveis agarraram-se a dom Sebastião, rei do apogeu lusitano. Dom Quixote lutava em meio ao escuro político, à opacidade econômica e à desordem social. Fazia-o convencido de o retorno de tempos áureos espanhóis. E nós? Torceremos por quem? Pelo fervor econômico dos militares? Pelo corporativismo peleguista de Getúlio Vargas? Pela cana-de-açúcar?
É por essas e outras - Sangue-sugas, Calheiros, Mensaleiros - que até quixotistas e sebastianistas vão desaparecendo, dando lugar a niilistas convictos. Nesses tempos é que vemos a fibra de um povo, de uma nação. Devemos lembrar que a torcida pouco pode ajudar, como no futebol. O negativismo então somente degrada.
Atinemos! Esse é o momento de fazer a diferença. Apagando todo aquele passado nefasto. Deixando nossos netos, bisnetos orgulhosos em dizer que houve coragem de muitas personagens reais para iluminar o túnel todo. Até o futuro.
Vítor Marise - estudante - RG 44692162-2