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Túmulos recebem últimos retoques

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

Muita gente aproveitou o final de semana para fazer pequenas reformas ou lavar túmulos de parentes nos cemitérios de Bauru. Outros, que pretendem viajar na próxima sexta-feira, feriado, anteciparam a tradicional visita de Finados, levando flores e velas.

O comerciante Nélson Goto saiu de Cornélio Procópio, no Estado do Paraná, para visitar o túmulo dos avós no Cemitério da Saudade, em Bauru, e também do tio e dos sobrinhos no cemitério de Pirajuí. “Preferi vir hoje para não sair da minha cidade no feriado (2 de novembro). Meus pais estão enterrados lá, então não posso deixar de visitar o túmulo deles no dia de Finados”, comentou. Goto também aproveitou para colocar flores e acender velas no túmulo dos parentes em Bauru.

No Cemitério Jardim Redentor, o movimento de famílias para fazer reparos em jazigos de parentes foi grande o dia todo de ontem, apesar do forte sol quente. O autônomo Pedro Muniz Lopes, 60 anos, enfrentou o calor que fazia às 14h30 para pintar o túmulo de dois parentes próximos. “Durante a semana não tenho tempo de vir, então resolvemos fazer o que tem que ser feito de reforma hoje, afinal, o feriado já está chegando”, justificou.

Ele e a mulher também se adiantaram na decoração do jazigo. “Hoje, estamos trazendo flores artificiais porque o sol está muito quente. Vamos deixar para enfeitar com vasos naturais só na sexta-feira, senão, com o sol que está fazendo, as flores morrem antes da hora”, ressaltou Lopes.

De acordo com o coveiro Aparecido Soares de Oliveira, a movimentação de pessoas no cemitério está grande desde a última sexta-feira, principalmente para limpar e depositar novas flores nos vasos.

“Como o feriado cai numa sexta, acredito que muita gente vá viajar, por isso estão antecipando a visita. Mesmo assim, a visitação maior será no feriado”, acrescenta.

Finados também já está movimentando os ambulantes nas portas dos cemitérios. Ontem pela manhã, um deles vendia flores e velas na entrada do Cemitério da Saudade, apesar de admitir que o movimento estava baixo.

“As vendas vão ficar boas mesmo só a partir de quarta-feira. Hoje, só está vindo comprar alguma coisa quem pretende viajar no feriadão”, ressaltou o vendedor Luiz Carlos Andrade. Segundo ele, o preço das mercadorias que está vendendo subirá em torno de R$ 1,00 no dia de Finados. Durante esta semana, o vaso do crisântemo será comercializado a R$ 6,00 e o maço de vela a R$ 1,50.

Em Bauru, os cemitérios estarão abertos à visitação na sexta-feira, feriado de Finados, a partir das 7h. É importante que as pessoas lembrem-se do risco da dengue, evitando deixar água parada nos pratos dos vasos sobre os túmulos. Esses recipientes devem ser preenchidos com areia.

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Tempo de faturar

Para muita gente que trabalha por conta própria, Finados é um bom período para tirar um dinheiro a mais no mês. É o caso das zeladoras de túmulos do Cemitério da Saudade, em Bauru. Elas contam que outubro e novembro são os melhores meses para faturar mais com o serviço.

Maria Tereza Alves cuida da limpeza de 50 túmulos no local, trabalho que rende cerca de R$ 400,00 por mês. Às vésperas do feriado de Finados, ela se responsabiliza por mais dez jazigos, elevando o rendimento mensal para R$ 500,00.

“É o nosso décimo terceiro salário, já que não temos registro em carteira de trabalho”, comemora a trabalhadora. “É verdade, mas o trabalho não é fácil. Olha só este túmulo de pedra que estou limpando, não é nada fácil desencardir. Tem que suar muito”, interrompe Maria José da Silva, que mantêm limpos, todos os meses, 25 túmulos no cemitério.

Segundo as zeladoras, o valor cobrado varia, principalmente, com o tamanho do jazigo. Quanto maior for o túmulo, maior será o grau de dificuldade de limpeza, o que encarece o serviço. “Para limpar mausoléus e jazigos com muitas peças em bronze, que exigem muito esforço da gente, cobramos R$ 35,00 por mês. Ninguém reclama e acha até justo, porque entende que o trabalho não é fácil”, destaca Silva.

Para a professora aposentada Angelina Bianconcini Tomasi, contratar o serviço das zeladoras é essencial, já que ela não teria tempo disponível para manter sempre em ordem o túmulo onde estão sepultados o marido e o neto.

“Acho que compensa muito, porque não posso estar sempre aqui (no cemitério) para limpar o túmulo. Pago o serviço o ano todo”, comenta a professora, que possui outros parentes enterrados em quatro jazigos no Cemitério da Saudade.

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