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Cristina governará com maioria ampla

Folhapress
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Buenos Aires - Ao contrário de seu marido Néstor Kirchner, a primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner chegará à Presidência argentina escudada em maioria no Congresso e uma sólida base entre os governadores de Províncias.

O kirchnerismo foi o grande ganhador das eleições de domingo. Não só teve em Cristina a presidente eleita com maior vantagem sobre a segunda colocada desde a redemocratização do país - com 96% das urnas apuradas, ela superava Elisa Carrió por 44,9 a 23, quase 22 pontos de vantagem contra os 16 de diferença entre Carlos Menem e José Bordon em 1995, recorde anterior.

Também conseguiu maioria própria nas duas Casas do Congresso e saiu vitorioso em todas as oito eleições provinciais realizadas no domingo. Com isso, das 24 Províncias argentinas, nada menos que 19 serão governadas por aliados de Cristina. Juntas, elas representam 79% do eleitorado.

No Congresso, o governo ampliou de 41 para 44 o número de seus senadores, o que significa 61% do Senado.

Na Câmara, o número ainda não estava fechado, mas a Frente para a Vitória devia somar 20 deputados aos 111 atuais e assim ultrapassar os 129 necessários para ter maioria absoluta na casa.

Mas os números da eleição também podem prenunciar problemas futuros para Cristina. O índice de abstenção chegou a 28%, o mais alto desde 1928 no país, onde o voto é obrigatório. A futura presidente também fracassou nas grandes cidades, o que contrastou com a excelente votação que teve nas regiões mais pobres.

Kirchner x Kirchner

Em algumas Províncias, o apoio ao kirchnerismo gerou situações inusitadas.

Em Mendoza, por exemplo, o kirchnerismo ganhou com o candidato da Frente para a Vitória, Celso Jaque; mas também perdeu porque o “radical K” Cesar Biffi, apoiado pelo governador Julio Cobos, agora vice-presidente eleito, ficou em segundo.

Cobos terá um forte papel simbólico no governo de Cristina. É o primeiro vice-presidente oriundo da União Cívica Radical (UCR) de um presidente peronista (os dois partidos são rivais históricos na Argentina). E cabe ao vice presidir as sessões do Senado.

O apoio nas Províncias e no Congresso não é nada desprezível para Cristina, que tem como um dos objetivos anunciados do seu governo um “pacto social” no qual a aliança com os governadores e a aprovação do Legislativo serão importantes.

Entre os governadores, o mais importante aliado da primeira-dama é Daniel Scioli. Vice-presidente de Kirchner, ele foi eleito por ampla margem em Buenos Aires (principal Província do país em eleitores, população e participação no PIB).

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