Tribuna do Leitor

A escrava que não é Isaura


| Tempo de leitura: 2 min

Brasil: uma nação constituída pelos mais diversos povos, com as mais diversas culturas. Sendo assim, onde encontra-se a lógica em conceder privilégios apenas para uma parcela dessa população? As cotas raciais nas universidades tentam erradicar problemas iniciados há séculos por nossos antepassados. Os favoráveis ao sistema não vêem que não se trata de um caminho, mas de um atalho!

O acesso às principais instituições de ensino superior somente é possível através de uma sólida formação básica, e isso todos sabemos. Da mesma forma, é de conhecimento geral a situação lamentável do sistema educacional brasileiro. Concluímos, portanto, que para ingressarmos em uma boa universidade é necessário, na maioria dos casos, mais do que a bagagem concebida nas escolas públicas. Os programas de cotas do Governo Federal geram discussões inflamadas, e com razões. Reservar determinado número de vagas para os egressos de escolas públicas é aceitável, pois sabemos que eles não tiveram as mesmas oportunidades que aqueles advindos da rede particular.

Mas, e a questão da raça? Os que possuem pele negra têm algum tipo de bloqueio em relação aos demais? Supondo-se dois estudantes do ensino particular, um branco e outro negro, por que o negro possuiria vantagem sobre o outro? Questões com respostas vagas pelo simples fato de não terem fundamento. Os acontecimentos da época escravocrata fazem parte do passado. Os estudantes de hoje não devem pagar pelos erros cometidos pela sociedade há séculos. As medidas a serem tomadas são simples, e com fundamentos! A rede de ensino público deve ser melhorada, e com urgência! A busca pela igualdade social precisa ser posta em prática, bem como a eliminação de toda e qualquer forma de preconceito. A sociedade brasileira tornou-se escrava dos padrões definidos há tempos. Basta! Chegou a hora de recebermos nossa “Carta de Alforria”. O sistema clama por mudanças.

Camila Fernandes Aguiar, estudante

Comentários

Comentários