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Lixo plástico vira mourão de cerca

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 7 min

Ao invés de lançar no meio ambiente toneladas de lixo plástico, por que não utilizá-lo para construir mourões de cerca e dormentes ferroviários? Além de livrar a natureza desse lixo de difícil decomposição, ajuda na preservação da madeira, matéria-prima utilizada tanto no campo quanto na ferrovia.

Esse foi o questionamento feito pelo empresário Sebastião Pereira da Silva, 79 anos, antes de criar o mourão e os dormentes feitos de plástico. Em um primeiro momento, o material pode parecer frágil para esse tipo de serviço, mas o empresário garante: “O plástico é tão resistente quanto a aroeira, cabreúva, peroba e jatobá”, afirma. Além disso, tem uma vida útil que pode chegar a 500 anos. A madeira dura em média 40 anos.

Silva adaptou uma máquina que tem em sua fábrica no Distrito Industrial para a produção dos mourões e dos dormentes. A produção ainda é pequena, mas os fazendeiros que resolveram trocar os mourões de madeira pelos de plástico duro aprovaram a invenção ecologicamente correta.

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Vira página

Pródiga em invenções, a escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) tem dois projetos em andamento. Um deles está sendo desenvolvido para atender a uma pessoa de 70 anos que sofreu dois acidentes vasculares cerebrais (AVC) e perdeu praticamente todos os movimentos do corpo.

Apaixonado por leitura, ele ocupa o tempo “devorando” livros. Mas como não tem o movimento das mãos, o paciente precisa que a esposa fique o tempo todo ao seu lado virando as páginas. Por solicitação médica, o Senai criou uma prancheta com um virador de páginas mecânico, que pode ser acionado pelo próprio usuário.

Com isso, não é preciso a presença de uma segunda pessoa para fazer essa função. O paciente aciona o mecanismo e uma roldana de borracha levanta o canto da página e esta é empurrada para o outro lado, possibilitando que a pessoa leia o livro tranqüilamente, quando e onde quiser. O projeto está sendo desenvolvido por sete alunos do Senai sob coordenação do professor Tarcísio José Zago, 41 anos.

O outro projeto também é da área médica. Trata-se de um equipamento que ajuda na recuperação do movimento do punho. Segundo o instrutor de metal mecânica Osmar Souza Boico, 49 anos, está sendo solicitada a patente do invento porque não existe similar no mercado. De acordo com ele, hoje, os fisioterapeutas utilizam o canto da mesa para fazer os exercícios no punho de seus pacientes.

Acionado por um motor de baixa potência, o aparelho faz movimentos contínuos de sobe-e-desce em um ritmo pré-definido. O punho do paciente é preso no aparelho e acompanha os movimentos. Segundo o também instrutor Benedito Bautz Martins, 32 anos, o equipamento é indicado para tratar quebradura de punho e foi aprovado por fisioterapeutas.

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Fim das cáries

Um verniz criado no laboratório de bioquímica da Universidade de São Paulo (USP), em Bauru, promete acabar ou pelo menos dificultar o aparecimento de cáries. Desenvolvido pela professora Marília Afonso Rabelo Buzalaf e pela aluna de mestrado Agnes Pereira, o verniz possuiu substâncias antibacterianas que atuam preventivamente no combate a cáries e nas infecções de garganta e ouvido.

Nos testes feitos em laboratório, elas observaram que o verniz consegue fazer com que o xilitol fique por mais tempo na saliva do paciente. O xilitol é um adoçante natural que inibe o aparecimento de cáries.

O verniz deve ser testado em crianças ainda este ano. Se o resultado obtido em laboratório for confirmado, será um grande passo em favor da saúde pública, segundo a professora. De acordo com ela, o governo gasta fortunas para o tratamento da otite média, que é a inflamação do ouvido, bastante comum em crianças.

Outra inovação que está nascendo dentro da USP em Bauru é a criação de uma resina colorida que servirá para facilitar o trabalho dos ortodontistas. A resina é utilizada para prender os braquetes (pequenas peças metálicas ou de cerâmica usadas na correção da arcada dentária) dos aparelhos ortodônticos.

As resinas utilizadas atualmente são da cor do dente. Quando as braquetes são removidas, vestígios da resina acabam permanecendo no dente por causa da sua coloração semelhante. Com isso, a substância passa a acumular microorganismos que podem danificar o dente, produzindo cárie.

Se a resina é colorida, o ortodentista Tiago Turri de Castro, 29 anos, afirma que fica mais fácil fazer a remoção de todo o material. Segundo o professor Paulo Afonso Francisconi, 47 anos, o corante aplicado à resina não é tóxico.

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Pioneirismo

Guaracy Francisco Ingracia iniciou sua vida profissional em 1964. Ele não inventou nada, mas foi um importante pioneiro em Bauru. Sua primeira iniciativa foi trazer para a cidade, com a ajuda de Pedro Ferreira Nolasco, uma fábrica de embalagens plásticas. Ele lembra que, naquela época, só existia algo semelhante em Campinas e São Paulo.

Cerca de dez anos mais tarde, ele se uniu a Urias Carlos Mandeli e José Wolke e iniciou as atividades da Polimáquinas - empresa que produz máquinas que fazem as embalagens plásticas. Segundo ele, existem poucas fábricas no mundo que fazem isso. Além de atender o mercado interno, a empresa exporta sua produção para a América Latina.

Mais dez anos e novo empreendimento. Desta vez, o pioneirismo foi trazer para a cidade uma fábrica de semijóias. Agora, em parceria com Domingos Calipo. A empresa começou no fundo do quintal e atualmente emprega cerca de 120 funcionários e exporta para 20 países. Depois da Bruna Semijóias, Ingracia diz que surgiram outras fábricas no mesmo ramo, mas a qualidade de seus produtos fez da empresa uma referência nacional.

Com um espírito empreendedor insaciável, Ingracia lançou em 1997, em sociedade com o engenheiro elétrico Carlos Augusto Santandréia, a Bruna Painéis Eletrônicos, única empresa do Brasil que produz painéis de grande porte. Ele lembra que os dois painéis de 54 metros quadrados que foram instalados no Estádio João Havelange, recém-construído no Rio de Janeiro para os Jogos Pan-Americanos, saíram de Bauru.

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Queijo de nó

As invenções descobertas pelo JC não ficam restritas a Bauru. Elas surgem em todos os cantos, independentemente do tamanho da cidade. Em Reginópolis, por exemplo, nasceu um dos aperitivos mais apreciados na mesa do brasileiro: o queijo de nó.

Segundo relata a história, em 1958, fazendeiros e sitiantes da região, comandados por João Bentoca, ex-prefeito de Reginópolis, fundaram um laticínio. Entre outros produtos, eles fabricavam queijo. Um dia, um funcionário deixou o escritório e saiu para dar uma volta pela área de manipulação. Ele aproximou-se dos queijeiros que manipulavam alguns aperitivos feitos com massa de mussarela em forma de cordões, que posteriormente eram cortados em pequenas unidades.

Conversa vai, conversa vem, o funcionário, distraidamente, deu umas laçadas (nós) em alguns desses cordões. Nesse momento, apareceu João Bentoca. Os funcionários ficaram com medo de alguma repreensão, mas o que se viu foi a alegria dele ao notar que estava diante de uma grande descoberta. Ele mandou os funcionários darem as laçadas e cortarem entre os nós. Nascia o famoso aperitivo.

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Capim seco

Aquecedor solar em uma caixa de madeira, com capim seco como isolante térmico e argamassa feita de jornal dissolvido em água. Esse foi um projeto do professor Paulo César Razuk, 58 anos, do Departamento de Engenharia Mecânica da Unesp, que não deu muito certo.

O equipamento obedecia um planejamento de baixo custo com o propósito de ser instalado em moradias populares. Mas o professor e os alunos que o auxiliaram nessa empreitada não contavam com um obstáculo social. A resistência dos moradores.

Razuk lembra que foi difícil encontrar uma pessoa que aceitasse colocar o aquecedor solar no telhado de casa para que fossem feitos os testes. Quando encontrou, os testes não duraram mais do que dois meses. O equipamento chamou tanto a atenção que as crianças subiam no telhado para vê-lo. Teve também um grupo que resolveu transformar o aquecedor em alvo de pedradas.

Depois de várias telhas quebradas e muita perturbação, o morador pediu pelo amor de Deus que o aquecedor fosse retirado. Depois disso, ficou impossível continuar os testes e o projeto foi abandonado.

Segundo Razuk, o aparelho não possuía alto rendimento, mas funcionava dentro da filosofia que havia sido proposta. O custo do aparelho era cerca de um quarto do valor de um aquecedor convencional.

Algumas moradias populares têm este aquecedor, mas na opinião do professor, a presença do equipamento ainda é muito tímida.

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