Minha história se passa em Praia Grande (SP). Tenho então 16 anos de idade. A folhinha marca o dia 4 de novembro de 1957. Estamos no Forte Itaipu (5o Grupo de Artilharia de Cista). A atmosfera abafada é suavizada por um vento ponteiro, um zéfiro que sopra do mar, para a praia. São duas horas da madrugada. Eclipsada por densas nuvens, a lua desaparece lá no alto. Do alto de uma muralha à beira-mar duas sentinelas esquadrinham o céu, a terra e o mar. No mar escuro como breu se destaca uma pequena luz. Uma luz na mão e num pequeno barco: alguém numa pesca escoteira em local não autorizado. Dado é um tiro coercitivo para o alto. No alto da muralha a luz se agiganta rapidamente. Não é um barco de pescadores. De chofre irrompe um enorme objeto voador discóide.
As duas sentinelas, atônitas, atiram incontinenti contra o inesperado invasor. Uma luz alaranjada, em forma de jato, sai de dentro do objeto voador e vai inexoravelmente atingir em cheio os dois soldados. Como num passe de mágica o objeto voador passa, em ângulo reto, de um vôo horizontal para um vôo vertical, tomando rumo do zênite. Naquele exato momento há uma interrupção de energia elétrica em todo Forte. Os dois soldados, mais tarde examinados por médicos, ficam com a epiderme chamuscada, embora suas fardas estejam intactas. Militares brasileiros acreditam que americanos e/ou soviéticos estejam isoladamente efetuando experimentos com discos voadores fabricados por eles. Inspirados em protótipos secretos dos nazistas durante a Segunda Gerra Mundial (1943).
O fato é classificado como sigiloso. O insólito incidente está registrado no livro: “A verdade sobre os discos voadores”, do major Donald E. Keyhoe, da marinha de guerra norte-americana (1978). Meu pai é um militar no posto de subtenente no Forte Itaipu em 1957. Ele sabe que acompanho com entusiasmo reportagens na revista “O Cruzeiro” sobre os discos voadores. Por esta razão ele revela para mim a incursão de um disco voador ao Forte Itaipu. Um draconiano regulamento disciplinar proíbe ao militar revelar assuntos sigilados. Durante 48 anos escondi da mídia a revelação. No dia 23 de junho de 2005 meu pai falece como um militar reformado com soldo de major do Exército. O que me perrmite contar esta história, para um resgate de uma verdade fática.
Gilberto Sidney Vieira