Will.i.am é “o” cara. Goste-se ou não do rap de FM do Black Eyed Peas, não há como ignorar que seu líder é um dos grandes produtores do momento. Em suas mãos estão as músicas do esperado disco novo de Michael Jackson, e por elas já passaram faixas de Justin Timberlake, Fergie, Macy Gray, Mary J. Blige, John Legend, Whitney Houston, The Game, Mariah Carey, Carlos Santana. Isso sem contar que, graças à produção de will.i.am, Sergio Mendes se tornou o artista brasileiro que mais vendeu discos nos Estados Unidos - com o álbum “Timeless”.
Seu talento se deve, principalmente, a um ouvido apurado, sem preconceitos, que trafega por estilos como rap, house, r&b, electro, funk e até emo. É mais ou menos essa a rota que will.i.am segue em seu terceiro trabalho solo, “Songs About Girls”, álbum em que assume todos os vocais, cantando e rimando histórias de amor - sobre uma namorada do passado, como ele descreve na faixa de abertura, “Over” - e temas da moda, como a defesa do meio ambiente.
O disco é essencialmente dançante, com alguns momentos melhores do que outros. Entre os mais inspirados estão “Heartbreaker”, rap com BPM (batidas por minuto) acelerado em que will.i.am faz um mea-culpa por ser um “cara que arrasa corações”. “Get Your Money” tem uma pegada disco; “Impatient” é house com produção à la Daft Punk.
Em “One More Chance”, ele promete “remixar a situação”. Já “The Dong Song” faz a linha electroclash, com uma inusitada participação de Snoop Dogg - único convidado do disco. As escorregadas ficam por conta de “I Got it from My Mama”, equivalente a “My Humps” (hit do Black Eyed Peas), onde até os samples vocais lembram a voz de Fergie. Uma vez é engraçado. Duas não, né?
Tem até um funk carioca -will.i.am é fã declarado do Brasil e de música brasileira-, “Make it Funky”, totalmente dispensável. Mas não estraga o conjunto.