Internacional

Parlamento adia eleição no Paquistão

Folhapress
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Islamabad - O primeiro-ministro paquistanês, Shaukat Aziz, afirmou ontem que o Parlamento pode adiar em um ano as eleições legislativas, previstas para janeiro de 2008, após a instauração do estado de emergência pelo presidente Pervez Musharraf. Ele acrescentou, porém, que o governo ainda não tomou uma decisão a respeito.

“Pode acontecer algum atraso no calendário das eleições, a decisão será tomada em breve”, afirmou Aziz. “Estamos discutindo. Sob o estado de emergência, o Parlamento pode levar um ano.”

O primeiro-ministro informou ainda que de 400 a 500 pessoas foram detidas de forma preventiva no país após a entrada em vigor do estado de exceção. As detenções atingiram partidos de oposição ao governo, como o Teehrik-e-Insaf e a Liga Muçulmana do Paquistão (comandada do exílio pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif), além de representantes judiciais, como o presidente da Associação de Magistrados do Supremo.

Na lista de detidos, entre outros, está Hamid Gül, ex-chefe dos serviços secretos paquistaneses durante o primeiro governo de Benazir Bhutto (1988-1990), e conhecido pelas polêmicas declarações extremistas e suas duras críticas à política dos Estados Unidos.

As detenções políticas aconteceram em várias cidades do país, entre elas Islamabad, Karachi, Peshawar, Quetta e Lahore. Nesta última, segundo a imprensa, teriam sido detidos cerca de 30 ativistas.

Além das batidas, a polícia ainda invadiu os escritórios da rede de televisão privada “AAJ” em Islamabad para confiscar seu equipamento, disse uma fonte do canal, enquanto jornalistas do canal “Geo TV” denunciavam o bloqueio de suas linhas telefônicas.

O vice-ministro da Informação paquistanês, Tariq Azeem, confirmou ontem que o calendário das eleições legislativas programadas a princípio para janeiro está em suspenso. Musharraf declarou o Estado de exceção alegando o aumento da violência extremista e a “interferência” do Poder Judiciário na política do governo, mas a oposição acredita que ele tenha feito para evitar um veredicto do Supremo que poderia invalidar sua recente reeleição como presidente.

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Ocidente

Islamabad - O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, expressou ontem sua preocupação com a declaração do estado de emergência no Paquistão e pediu o retorno do país à “ordem constitucional”.

O país deve voltar à “ordem constitucional”, o que implica em preparar o caminho “para eleições livres e democráticas”, acrescentou o chefe da diplomacia alemã. Steinmeier expressou também sua preocupação com “as informações sobre detenções de líderes políticos, juristas e representantes da sociedade civil”.

Já a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, disse neste domingo que os Estados Unidos vão rever a ajuda financeira de bilhões de dólares dada ao Paquistão, depois que o presidente Pervez Musharraf decretou estado de emergência na véspera.

“Obviamente, vamos ter que revisar a situação da ajuda, em parte porque temos que ver o que pode ser provocado por certos estatutos”, disse Rice a repórteres que a acompanham em viagem a Jerusalém.

O Paquistão recebeu cerca de US$ 10 bilhões em ajuda norte-americana desde 2001. Boa parte desse montante esteve relacionado com auxílio ao combate ao terrorismo. Em 2008, serão mais de US$ 800 milhões. O país também recebe bilhões de dólares em assistência a missões de combate ao terrorismo.

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