Tribuna do Leitor

Presídio semi-aberto


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Cartas, protestos, indignação... Todos atirando pedras contra a notícia de transformação das penitenciárias 1 e 2 de Bauru em presídios semi-abertos.

E eu apenas refletindo cá comigo: como o humano joga suas minorias no fundo do poço e fecha-o com uma tampa para ignorá-las. Sempre fez isso com os excluídos e indesejados: manicômios, Febens, presídios e animais confirmam esta tese. E até pouco tempo, escravos e mulheres. Mas, se “toda a unanimidade é burra”, foi bom ter surgido uma carta no JC, do senhor Ademir Rafael, defendendo o regime semi-aberto. Suas ponderações são justas e sensatas.

Apenas para lembrar o que já se sabe: o sistema prisional não reeduca ninguém. Serve, a grosso modo, para eliminar elementos nocivos da camada mais pobre da população, aqueles que não têm cacife para driblar a lei com seus inúmeros recursos. Serve para amontoá-los em lugares cuja violência é a regra maior. Aquele que cometeu pequenos delitos também tem que enfrentar a subvida da cadeia. E vivemos numa guerra urbana. O filme “Tropa de elite” é imperdível, porque mostra a cara do Brasil. Critica o sistema e mostra que não há heróis, nem que a violência é boa. Todos são culpados: a polícia, os traficantes, desde a sociedade alienada e egoísta até os jovens “politizados” de classe alta e média consumidores de droga, os corruptos e corruptores, e, principalmente, o usuário de droga, que é aquele que fomenta a criminalidade.

Pois considero um avanço o semi-aberto. Trará problemas, é lógico, mas a progressão da pena é um direito do preso, daquele que já cumpriu parte dela em regime fechado, daquele que não cometeu crimes pesados e que agora precisa de uma chance para trabalhar e estudar. Isso permite uma reintegração social gradativa. É uma medida corajosa do governo Serra e o preso terá o acompanhamento de agentes penitenciários. Só não deve usufruí-lo quem comete crimes hediondo. É pretensão querer que se enquadrem nesta categoria os que “desviam”, roubam mesmo, nossos recursos públicos e naturais?

E nós, “os normais”, somos perfeitos e bons? Só queremos viver numa redoma e que tudo o mais vá pro inferno? Ora, é fácil para quem tem boa família, estrutura, oportunidades, estudo e saúde. Já que nosso índice de distribuição de renda é injusto e um dos piores do planeta, vamos encarar o problema e parar de jogar pedra na Geni.

Pedro de Souza Meira - RG 27.849.708-9

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