É público e notório que a cidade de Bauru já deu e em muito a sua contribuição para o sistema prisional do Estado de São Paulo, portanto, baseado neste contexto é que se pode criticar o aumento dos semi-abertos que já começou ocorrer em nosso município. Está na hora de outras cidades entrarem no bojo destas políticas de carceragem patrocinadas pelo governo do Estado de São Paulo. No entanto, as nossas autoridades locais precisam agir com um pouco mais de ímpeto e inteligência para não pagarem mico e apenas se mobilizarem na hora que a Inês já esta morta.
Mais esta discussão toda gerou um irracionalismo coletivo materializado num simplismo cúmplice, leigo e reacionário. A nossa sociedade, não estou generalizando, não pode simplesmente querer dar descargas nas fezes sociais que ela mesmo em sua maioria fabricou. Não no todo, mais está comprovado que uma das principais causas da criminalidade é a injustiça social e num meio beligerante que vivemos as vozes do autoritarismo e da solução final (só para pobres é claro), aproveitam do estado de pânico de toda uma comunidade para vociferarem um preconceito materializado na cegueira social e encastelado de hipocrisia. O nosso sistema prisional está superlotado de presos que não possuem alta periculosidade, porque a maioria que se encontra lá não tem condições de pagar bons advogados para responderem em liberdade, como acontece com os grandes ladrões presos pela Polícia Federal, mas soltos imediatamente pela justiça.
Quando às idéias, viram boçalidade prevalece os caos, a burrice se engrandece. Por exemplo, se queremos conter a criminalidade taxando de herói uma patética mistura de rambo tupiniquim e justiceiro só de pobres e pretos, chamado de Capitão Nascimento do filme Trópa de Elite, percebe-se que chegamos num túnel sem luz no fim. Óras, se queremos mandar para um campo de concentração social os signatários de nossas mazélas, há de se começar a discutir o porquê das nossas instituições.
Se queremos voltar ao tempo do olho por olho e dente por dente, pra que Poder Judiciário? Pra que Poder Legislativo? Pra que Promotoria Pública? Pra que Policia? Pra que agentes penitenciários? Vamos todos nós se tornar coveiros da nossa própria indiferença e imperfeição.
Não precisamos ir longe: a Defensoria Pública que tardiamente foi criada aqui no Estado de São Paulo para defender aqueles que não têm acesso à justiça por questão social está totalmente desestruturada.Tanto é que seus advogados fizeram uma manisfestação de descontentamento esses dias.
Defendo para os crimes hediondos penas severas e se possível até prisão perpétua, embora o nosso dispositivo constitucional não preveja esta hipótese. Sou contra a pena de morte porque se executarem um inoscente não tem mais volta e, em se tratando de Brasil, iam torrar na cadeira elétrica a empregada doméstica, mas libertariam da mesma o jornalista Pimenta, que matou a namorada por se sentir dono dela.
Quanto aos nossos semi-abertos, cabe aos que foram eleitos nas ultimas eleições e também a todos nós exigirmos uma contrapartida social do Governo do Estado para que a cidade possa lidar com as familias de muitos presidiários que possivelmente virão para cá.
PS- O presidente Lula é democrático e não vai aceitar a tese do terceiro mandato presidencial seguido. No entanto, os mesmos setores sociais e políticos da nossa nação que criticam o continuismo presidencial na Venezuela nunca se manisfetaram contra a Margaretch Thatcher, que foi várias vezes reeleita seguidamente na Inglaterra. E também nunca reclamaram do Helmut Khol, que foi primeiro ministro da Alemanha por vinte anos. Parece que quando um governante prioriza os pobres, quanto mais rapido ele sair melhor. Já raiou o cinismo e a hipocrisia no horizonte do Brasil.
Pedro Valentim