Cultura

Um embate de diferenças em ‘Chorinho’

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Caio Blat e Cláudia Mello retornam hoje a Bauru para apresentar “Chorinho”, espetáculo inédito do dramaturgo e diretor Fauzi Arap que está encerrando temporada de grande sucesso na Capital. O Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves é o primeiro palco do Interior a receber os atores, que planejam viajar com essa comédia emocionante no início do próximo ano.

“Chorinho” é o último texto de Fauzi Arap, finalizado em 2006, após alguns anos longe dos palcos. Ator, diretor e dramaturgo, Arap foi responsável pelo comando de peças como “Perto do Coração Selvagem”, em 1965, “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, em 1967, e “Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã”, em 1968, entre muitas outras. São de sua autoria “Pano de Boca”, “O Amor do Não”, “Quase 84” e “Mare Nostrum - Sonhos, Viagens e Outros Caminhos”.

De acordo com o material de divulgação, “Chorinho” teve uma leitura no final de julho deste ano, o que fez com que os envolvidos se decidissem por uma montagem imediata. A disponibilidade dos atores colaborou para tal. A atriz Cláudia Mello, com a suspensão provisória de “A Diarista”, pôde dedicar-se inteiramente ao projeto, enquanto Caio Blat conseguiu um intervalo com o adiamento das filmagens do longa-metragem “Bróder!” em São Paulo.

“Quando houve a possibilidade, liguei para o Fauzi, que me apresentou o texto. Na hora, chamamos a Cláudia e foi muito emocionante. Tivemos esse buraco nas agendas e começamos a ensaiar”, conta Caio, em entrevista por telefone ao JC. Ele frisa que Bauru será a primeira cidade a receber “Chorinho” depois da bem-sucedida temporada na Capital.

“Estamos com a peça no Espaço dos Parlapatões e estamos vendendo lugar no chão! Temos planos de voltar em janeiro para um teatro maior. É uma peça novinha e estamos com muito gás, queremos continuar a temporada, queremos viajar”, adianta o ator.

Caio destaca o paralelo entre “Chorinho” e outros dois textos, “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, de Plício Marcos, e “Zoo Story”, de Edward Albee. Arap foi o diretor da primeira montagem de “Dois Perdidos” no Brasil, em 1967. “É uma montagem bem minimalista, no sentido de ser baseada especialmente no embate de idéias apresentados pelos dois atores. O cenário é apenas um banco da praça onde esses dois personagens se encontram”, conta Caio.

A peça acompanha, em sete quadros, os encontros e desencontros de dois personagens em uma praça de alguma cidade: uma solteirona, interpretada por Cláudia, e um estranho rapaz, morador de rua, vivido por Caio.

“Estamos juntos em cena o tempo todo. É um encontro inusitado. Faço um morador de rua que começa a puxar assunto com uma senhora distinta, que freqüenta a praça e não quer ser incomodada. É um encontro que parece impossível, improvável, mas é profundamente transformador. As pessoas choram de rir no começo e choram de emoção com o final”, comenta o ator.

Caio relembra que havia trabalhado com Cláudia há mais de dez anos, em uma novela do SBT. “Tinha uma vontade grande de voltar a trabalhar com ela, que é excelente. Foi a escolha perfeita, um grande encontro para a peça”, diz.

• Serviço

Espetáculo “Chorinho” hoje no Teatro Municipal, às 21h. Ingressos à venda no Confiança Max e na bilheteria do teatro, na avenida Nações Unidas, 8-9. Preço: R$ 30,00; R$ 25,00 com bônus publicado no Jornal da Cidade; R$ 15,00 (meia-entrada). Mais informações: (14) 3018-5091 e 3235-1072.

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Planos na agenda

Além de uma nova temporada de “Chorinho” na Capital paulista e a turnê da peça pelo Interior, a agenda de Caio Blat tem um grande compromisso para os próximos meses: as filmagens do drama “Bróder!”, de Jeferson De, na periferia de São Paulo. O diretor, nascido em Taubaté, é um dos criadores do movimento Dogma Feijoada, grupo que reivindica presença maior de negros na frente e atrás das câmeras, desde que não de maneira estereotipada.

Filmado no Capão Redondo, o longa traz a história de amizade de três rapazes, vividos por Jonathan Haagensen, Silvio Guindane e Caio, o protagonista. “Vai ser um grande projeto, com grande elenco. É uma aposta da Columbia com a Globo Filmes, o primeiro filme do Jeferson, com essa temática da periferia. A trilha vai ser do Mano Brown”, adianta o ator.

Convidado para integrar o elenco de duas novelas no próximo ano, Caio está em momento de decisões. Presença freqüente nos palcos do Rio e São Paulo, rosto familiar nas telas de cinema, ele elogia o que chama de “momento único” para os atores brasileiros.

“São muitos jovens atores construindo suas carreiras, e são atores que estão o tempo todo em cartaz, como eu. Estamos aprendendo a administrar nossas carreiras com vistas nessa diversidade. Tem muita gente parando de emendar uma novela na outra. A Rede Globo reconhece esse momento e esses talentos, que estão conseguindo aproveitar essa situação única no País”, analisa.

A equipe de “Chorinho” reúne Marcos Loureiro, diretor de “Hotel Lancaster”, que assina a direção ao lado do autor; a atriz Maria Ribeiro, cuidando dos figurinos; Aline Meyer na trilha sonora e assistência de direção; Sergio Mastropasqua na direção de produção; e Patrícia Pichamone na divulgação.

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