Borebi - A Fazenda Noiva da Colina, no município de Borebi (45 quilômetros de Bauru), com seus mais de mil hectares, foi ocupada por 120 famílias, cerca de 300 pessoas, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), na madrugada de quinta-feira. Máquinas, gado, carneiros e casas estão de posse do MST.
A produtividade da fazenda de Fozi José Jorge está sendo discutida. Na avaliação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), segundo a polícia, ela é improdutiva. Na análise do administrador, a área não tem como ser improdutiva, uma vez que 75% dela do total de sua área está ocupado por cana-de-açúcar.
Pela tese do administrador Márcio Ricardo Martinelo Moreira, além do canavial, a propriedade tem uma criação de serpentes destinada à extração de veneno, 250 carneiros e gado, que são do proprietário e arrendatários. “São três arrendatários.”
Segundo ele, o advogado da família Fozi estava tentando conseguir uma liminar na Justiça para a retomada da posse da fazenda. “O advogado Éder Bonsonário está no Fórum de Lençóis Paulista tentando a reintegração de posse para que a gente volte ao trabalho.”
As nove casas existentes na propriedade rural estão ocupadas pelos integrantes do movimento. “Eles retiraram seis funcionários e seus familiares das casas às 2h da madrugada. Soubemos que eles já mataram quatro cabeças de gado e 20 carneiros. Nem todos os animais é da família Fozi.” Além dos animais, segundo o administrador, há ainda dois tratores, uma pá carregadeira e três roçadeiras.
Impasse
O contato entre os funcionários, os arrendatários da fazenda e os integrantes do MST ficou abalado ontem, depois que alguns cavaleiros invadiram a propriedade tentando resgatar os animais. Segundo o MST, a entrega seria feita por volta das 8h de ontem, mas em função da invasão, foi adiada para às 11h de hoje.
Na versão do administrador Márcio Moreira, os integrantes do movimento não querem autorizar a retirada do gado, dos carneiros e das máquinas. Já a representante do MST , Claudete Pereira de Souza, alega que quem atrasou a entrega foram os cavaleiros que cortaram a cerca e invadiram a propriedade durante a madrugada de ontem.
“Não matamos gado e nem carneiros e não queremos o maquinário. Nossa luta é pela terra. Já havíamos combinado com a Polícia Militar que faríamos a entrega ontem, mas eles atrapalharam o processo.”
A informação é confirmada pelo tenente da PM Juliano Xavier. “Eles haviam combinado de entregar o gado e as máquinas. Remarcaram para hoje.”
Claudete Souza ressalta que quem tem que responder pelo gado e pelos carneiros são os cavaleiros que entraram pelos fundos da propriedade.
Luta continua
Para o movimento, não importa a avaliação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). “Não temos avaliação do Incra. Nosso foco é a luta pela agilização do processo de reforma agrária. A morosidade do Estado nos incomoda.”
Claudete Souza garante que os integrantes do movimento vão ficar na fazenda até que o Incra resolva a situação. “Queremos acelerar a reforma agrária. Estamos com famílias que estão há 10 anos na luta, eles estão cansados. Tem gente do Pontal do Paranapanema, Promissão, Iaras, Sorocaba, Bauru, Agudos, Borebi e Piratininga”.
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Polícia Militar acompanha
Segundo o tenente da PM, Juliano Xavier, a polícia registrou a ocupação e acompanha as negociações. Para ele, o movimento é pacífico. “A única confusão aconteceu porque o MST havia prometido entregar o gado e maquinário, mas os cavaleiros invadiram.”
Os arrendatários de parte da fazenda, os irmãos Wagner e Nelson Síbia, estavam recolhendo as 220 cabeças de gado que eles criam do lado direito da propriedade, considerando o sentido Noiva da Colina-Borebi. “Eles não criaram problemas para nós. Estamos recolhendo os animais por prevenção. Saiu um boato que eles mataram gado e carneiros do lado de lá.”