Meu raciocínio sobre o assunto começou em 1959. Eu, morador da Bela Vista, filho de um motorista do IAPFESP, fui matriculado no “Cursos Brasil”, escola de elite, tendo como comandante a excelente dona Gilda dos Santos Improta. Na minha classe, existiam 50 alunos, dos quais dez ou doze torciam para o Corinthians ou Palmeiras e os outros eram sãopaulinos. Aquilo para mim era estranho pois, no meu bairro, tinha um sãopaulino para cada vinte torcedores.
O tempo foi passando, eu fui crescendo, frequentando todas as camadas sociais e observando que o São Paulo só era maior torcida entre os mais abastados financeiramente. Um dia, conversando com um sãopaulino eu lhe disse que o Corinthians era a maior torcida e que o São Paulo era a minoria ao que ele me respondeu que o importante para o São Paulo era a qualidade e não a quantidade. Na ocasião, me julguei discriminado, entendendo que eu era apenas quantidade (corintiano), sem qualidade. Após pensar um pouco, resolvi perdoar a ignorância do cara, com certeza cheio de complexos.
Com o passar do tempo, pouca coisa mudou. Agora vejo através de uma publicação de um jornal da Capital paulista (jornal Agora 8/11/2007) que o qualificado São Paulo Futebol Clube está pagando para as crianças “virarem casaca”, independentemente da condição social. Parece que até o PT pagando bolsa-família para se locupletar no poder. Eu, que antes era rival do Palmeiras, também virei casaca. Eu passei a ter nojo dessa elite porca que usa os menos favorecidos para atingir os seus anseios. Até para votar eu vou procurar saber. Se for sãopaulino, não conte comigo.
Roberto Rodrigues Ruiz - RG 5.573.519