O anticoncepcional injetável Contracep sumiu das prateleiras das farmácias de Bauru consultadas pela reportagem. Conforme o JC publicou, análises feitas pelo Instituto Adolfo Lutz, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, apontaram que ampolas de três lotes do produto contêm menor quantidade de hormônio que o previsto.
A diferença coloca em risco a eficácia do medicamento na prevenção da gravidez. O anticoncepcional utilizado a cada trimestre pelas consumidoras é fabricado pela EMS-Sigma Pharma e não era muito procurado numa das farmácias consultadas na cidade. Ainda assim, a venda foi suspensa e todos os lotes recolhidos, embora apenas os 080501-1, 080496-1 e 087359 fossem apontados durante análise.
O mesmo procedimento foi adotado nas outras quatro farmácias consultadas, sendo que o recolhimento do medicamento coube ao laboratório. Segundo entrevistados, a própria EMS-Sigma teria orientado pela retirada do produto das prateleiras. Ainda assim, pelo menos 200 mil mulheres no Brasil podem ter usado o anticoncepcional.
Por essa razão, a Secretaria de Estado da Saúde elaborou comunicado solicitando que médicos e unidades de saúde públicas e privadas identifiquem mulheres que utilizaram ou estejam usando o produto de um dos lotes interditados e as encaminhe aos serviços de saúde.
Maternidade
Em Bauru, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que o anticoncepcional injetável adotado no município, recebido do Ministério da Saúde, não é produzido pelo laboratório interditado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sendo que o último lote foi recebido em setembro de 2006. O medicamento distribuído pela Maternidade Santa Isabel também não é fabricado pela EMS-Sigma Pharma.
Tanto que o diretor clínico da maternidade e diretor técnico de Planejamento Familiar da maternidade, Sérgio Antonio, não recebeu queixas de eventuais pacientes. De acordo com ele, esse tipo de anticoncepcional aplicado de três em três meses é elaborado apenas com base num hormônio chamado progesterona.
Como não contém um outro denominado estrogênio, é indicado para mulheres que ainda estão amamentando, já que o estrogênio diminui a lactação. O medicamento também é indicado para pacientes que esquecem de tomar as pílulas anticoncepcionais normais e àquelas vítimas de forte cólica menstrual e com endometriose (funcionamento anormal do endométrio - mucosa que recobre a face interna do útero).
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Preservativo
As mulheres que receberam uma dose de Contracep há menos de quatro semanas devem utilizar preservativos ou qualquer outro método anticoncepcional para o qual não haja contra-indicação, incluindo nova dose do anticoncepcional injetável, segundo orientação da Secretaria de Estado da Saúde.
Aquelas que receberam uma dose há mais de quatro semanas e que estejam com o ciclo menstrual em atraso, a orientação é para que façam o teste de gravidez e utilizem preservativo até obter o resultado do exame. Caso seja negativo, os médicos deverão orientar a manutenção do uso de métodos contraceptivos mais adequados.