O Jornal da Cidade (25/10, pág. 29), no caderno JC Cultura, publicou reportagem sob o título “A esperança não deve morrer”, sobre o lançamento do 3.º livro do escritor Munir Zalaf, presidente da Academia Bauruense de Letras, “Lá fora”.
Segundo texto da reportagem, a esperança é o assunto central do livro. Informa que a obra não pode ser classificada como auto-ajuda, visa pela natureza do tema, fazer com que o leitor se sinta estimulado a enxergar a vida de um ponto de vista mais otimista, com entusiasmo. “Os homens estão muito desiludidos e precisam de esperança. É uma obra de motivação. A esperança não deve morrer”, filosofa o escritor Munir Zalaf.
Confesso, a leitura da reportagem me emocionou ao focalizar o tema do livro “Lá fora”. Que coincidência! Voltei ao passado, lembrei-me de um fato marcante em minha vida, ocorrido 26 anos atrás.
Encontrava-me no exercício da presidência da Câmara Municipal de Bauru, emocionado e muito honrado, recebi ofício do presidente da Legião Mirim de Bauru, Délio Coragem, datado de 7 de abril de 1981. Informava da minha escolha como patrono dos aspirantes da Legião Mirim de Bauru, formandos da 1.ª Turma/1981, para a cerimônia a ser realizada dia 15 de abril de 1981.
O livro “Lá fora”, hoje lançado, do escritor Munir Zalaf, tem como tema, como o próprio autor esclarece, uma obra de motivação no sentido de que a esperança não deve morrer. Lembrei-me da mensagem que transmiti aos meus afilhados em meu discurso pronunciado 26 anos atrás, centrado na frase do jornalista e escritor inglês Chesterton: “O mundo não perecerá, por falta de maravilhas, mas por falta de capacidade de nos maravilharmos”. A mensagem objetivava mostrar aos jovens formandos, como é belo e importante esse ensinamento do escritor Chesterton.
Peço licença para transcrever alguns trechos pelo seu alto significado, tão oportuno na época, como para os dias de hoje, decorridos quase três décadas.
A capacidade de nos maravilharmos é muito importante para que se impeça que nosso espírito de algum modo se embote, principalmente em se tratando da juventude, para que não se elimine de sua mente a capacidade de maravilhar-se, isto é, encarar as coisas, ver o mundo com olhos sempre novos, olhos abertos para o lado do bem, do humano e do sublime.
Não falo em maravilhar-se apenas em termos de ciência, de ciência experimental. Falo, também, no aspecto social, como nos é desconhecido o nosso vizinho, o nosso próximo, por que desaprendemos a procurar neles os aspectos maravilhosos. E, assim, desabituamos ao exercício de nos maravilharmos, chegamos ao ódio. Isto não é absurdo nem exagero. Chegamos ao ódio porque nem sequer nos maravilhamos diante de nós mesmos, dos dons que recebemos e podemos desenvolver, o que nos dava a certeza de que também podemos fazer coisas maravilhosas sempre que desejamos, conforme nossas peculiaridades físicas e intelectuais.
A mensagem concluía: a vocês adolescentes de hoje, meus queridos afilhados, vocês constituem a maior inspiração e o maior desafio à minha capacidade de maravilhar-me.
Tenho guardado o ofício n.º 6/81, da Legião Mirim de Bauru, o discurso que pronunciei, o recorte do Jornal da Cidade de 16/4/81, com a reportagem sobre a cerimônia, que traz texto e foto e o cartão de prata que me foi oferecido, com os dizeres: “O primeiro grupo de aspirantes de 1981 da Legião Mirim de Bauru oferece esta singela lembrança ao seu patrono - prof. Rodolpho Pereira Lima - Bauru, 15 de abril de 1981.”
Parabéns ao prezadíssimo escritor e presidente da Academia Bauruense de Letras, Munir Zalaf, pelo lançamento do seu terceiro livro, intitulado “Lá fora”, pela sua edificante mensagem, mostrando que, em qualquer circunstância da vida, não devemos perder a esperança, que é irmã gêmea da fé. Parabéns!
Rodolpho Pereira Lima