Tribuna do Leitor

O Bufão do Caribe


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No início da carreira, o misto de presidente e comediante Hugo Chávez, da Venezuela, nos parecia um fanfarrão, muito mais para a paródia do que para realidade, e daqueles que vêm e vão. Mas como Chaplin no filme “O Grande Ditador”, a paródia se torna um assunto sério. Na Venezuela, estudantes estão morrendo em protestos nas ruas, emissoras de TV estão sendo cassadas e poderes extremos estão sendo dados para um misterioso projeto de socialismo bolivariano do século XXI, que nada mas é do que o mesmo antigo fascismo de Mussolini e Hitler.

Agora, num ato de arrogância, o aprendiz de ditador demonstra toda sua incoerência, chamando de “fascista” o ex-primeiro ministro da Espanha, fazendo com que o rei Juan Carlos, com autoridade, ordenasse que ele se calasse.

A graça inicial, como no filme de Chaplin, já passou. Os efeitos danosos deste fanfarrão já tiram liberdade e vidas na Venezuela e se expandem na Bolívia e no Equador. Em países como o Brasil e a Argentina já provocam uma corrida armamentista, pois necessitamos responder com investimentos em armas recursos que deveriam ser utilizados em saúde, educação e infra-estrutura para o desenvolvimento, pois o megalomaníaco assim resolveu.

No Brasil, discutimos a entrada da Venezuela como membro pleno do Mercosul e fico imaginando a disposição dos EUA ou da Espanha em negociar com um bloco comercial que tem como membro um país dirigido por líder deste tipo. Nunca pensei que, em algum momento, eu poderia estar de acordo com o ex-presidente Sarney (sem dúvida, o pior presidente do Brasil dos tempos recentes), que se opõe no Congresso à aprovação da Venezuela.

O problema é que o governo Lula e, principalmente, o assessor Marco Aurélio Garcia, confesso admirador de Chaves, têm manobrado para aprovação do Congresso, tratando o senhor Chávez como se fosse um modelo a ser seguido, principalmente pelo sucesso em massacrar a oposição e a democracia, ou seja, tudo aquilo que eles gostariam de fazer por aqui e não podem, coisas como 3.º mandato e fechamento de TVs e o prestígio regado a petrodólares.

Márcio M. Carvalho - RG 7.778.792

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