Jaú - Desentendimentos constantes anunciavam que o relacionamento amoroso de Paula Regina Caldeira, 15 anos, com seu namorado, um menor de 17 anos, poderia virar tragédia em Jaú (47 quilômetros de Bauru). Ontem, o que era suspeita dos familiares se confirmou com a morte de Paula com um tiro na região do pescoço, no meio da rua Vitor Cerino, no bairro Maria Luiza IV, onde ambos residiam. O principal suspeito é seu namorado E.L.S., que ontem foi apreendido acusado pelo homicídio.
A principal testemunha das constantes brigas entre o casal de namorados era a mãe do acusado. De acordo com o delegado Edson Maldonado, titular do 3.º Distrito Policial, ela relatou ontem que, no último dia 9, o filho se descontrolou e ameaçou cometer suicídio se o relacionamento terminasse. “Ela (mãe) disse que ele, apontando uma faca para o próprio pescoço, falou que se ela (namorada) o largasse, ele se matava porque não saberia viver sem ela”, salienta.
O delegado acrescenta que o casal começou a se desentender quando o namorado teria flagrado Paula com outra pessoa em um baile.
O JC apurou com os policiais militares que a mãe do rapaz relatou que, anteontem, teria ocorrido outra grave discussão entre os dois, na residência do namorado. “Segundo declarações da família dela, há cerca de duas semanas, a vítima falou que estava preocupada porque E.L.S. comprou uma arma de fogo e a ameaçou. Segundo declarações da mãe dele, nesta noite (anteontem) eles brigaram muito”, relatou um policial militar.
Ontem, por volta das 15h, o namoro, iniciado há cerca de cinco meses, chegou ao fim da pior maneira.
O menor foi ao trabalho de Paula, que vendia calçados em uma banca na rua próximo de sua residência. Já na rua, eles teriam iniciado uma discussão. Então, ele teria efetuado um disparo que acertou Paula entre o pescoço e o peito. A ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada, porém a vítima não resistiu e morreu no local. O corpo foi encaminhado para o Instituo Médico Legal (IML) de Jaú.
E.L.S. fugiu se escondendo em uma residência na rua Albino Rafani, a cerca de dois quarteirões do local do disparo. Segundo a PM, no meio do trajeto, o acusado jogou a arma, provavelmente um revólver calibre 38, em um matagal onde há um brejo.
Policiais militares fizeram um cerco na área e detiveram E.L.S. dentro do banheiro da residência. Ele foi encaminhado para o 3.º DP, onde foi feita sua apreensão sob a acusação de homicídio. Em seguida, o menor foi encaminhado para uma cela especial na Cadeia Pública de Bariri, onde ficará à disposição da Vara da Infância e Juventude.
Contradição
Inicialmente, o acusado alegou para o delegado que o disparo foi acidental, mesmo argumento declarado aos policiais da Força Tática da Polícia Militar (PM), que o apreenderam. Maldonado explica que o menor entrou em contradição. “Colocamos para ele um simulacro de arma, semelhante ao um revólver, e pedimos para que ele reproduzisse o acidente. Ele não conseguiu reproduzir e acabou deixando de lado a tese do disparo acidental e confessou”, ressalta o delegado.
Para Maldonado, o acusado disse que teria ocorrido hoje à tarde uma discussão entre eles. “Ele acabou pegando essa arma. Depois que discutiram mais fervorosamente, ele diz que deu um branco. Quando acabou esse branco, ela já estava correndo ensangüentada e caindo na rua. Aí, ele não teve outra alternativa e fugiu”, acrescenta.
Arma
Mais de 20 policiais reviraram um brejo com muito mato alto à procura do revolver que teria sido descartado pelo menor. No entanto, a arma não foi localizada, mesmo com as indicações do acusado.
Ele já trabalhou como calçadista e Paula Regina Caldeira trabalhava na mesma função em um comércio próximo de sua residência.
Paula Regina Caldeira residia com uma irmã e a avó, a quem considerava como uma mãe. Para as duas, Paula vinha relatando os constantes desentendimentos com o namorado. A mãe dela mora em Itapuí.
Foi levantada a hipótese de que Paula estivesse grávida. Material foi colhido no útero da vítima e encaminhado para exames no IML em São Paulo.