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Bancários trocam CUT por Conlutas

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de duas décadas filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), os membros do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região votaram em assembléia pela desfiliação da entidade e imediata filiação à Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), na noite de ontem. A maioria dos diretores do sindicato era favorável ao desligamento. Eles afirmaram que a CUT estaria alinhada ao governo federal e teria abandonado os trabalhadores da classe, além de não defender o interesse dos bancários nas campanhas salariais.

Antes da assembléia, Paulo Tonon, um dos diretores do sindicato reafirmou o descontentamento da entidade com a postura pouco combativa da CUT sobre alguns dos problemas enfrentados recentemente pela classe.

A assembléia foi realizada na sede do sindicato, no Centro. Participaram mais de 200 bancários e destes, 151 puderam votar. Os favoráveis à manutenção da entidade na CUT e os contrários puderam debater durante 20 minutos. Após discussões inflamadas, foi aberta a votação. Os favoráveis ao desligamento da CUT e filiação à Conlutas venceram por 136 votos contra 14. Uma pessoa se absteve.

Assim que a maioria dos bancários votou, os representantes da Conlutas que acompanharam a assembléia, passaram a cantar os gritos de guerra da entidade. Os participantes festejaram e foram à frente da sede do sindicato fazer um ato contra a CUT e comemorar a nova fase da entidade. Marcos Lenharo, um dos diretores do sindicato, apagou o emblema da Central Única dos Trabalhadores do luminoso da sede e depois estendeu uma bandeira da Conlutas no lugar.

Contrário ao desligamento, o diretor do sindicato Roberto Machini afirmou que irá continuar militando pela CUT na entidade. “Vamos constituir uma oposição cutista e debater com a categoria”, observa. Para ele, a maior dificuldade da nova fase do sindicato será a falta de apoio. “Cerca de 90% dos sindicatos de bancários do Brasil são cutistas. Vamos ver como farão esta experiência com o isolamento”, pontua. Ele também destacou que continuará lutando pelos interesses dos bancários.

Lenharo avalia que a decisão da classe mostra que os trabalhadores exigem uma postura mais combativa de seu sindicato. “Vamos para uma nova central, que ocupa o espaço que a CUT deixou quando abandonou o trabalhador”, diz. Ele ainda critica a entidade na qual estavam filiados desde 1986 pela opção feita em apoiar o governo federal, lembrando que mesmo ligados à central, há muito tempo o sindicato não seguia suas orientações. “A CUT boicotou todos os movimentos de trabalhadores nos últimos anos”, afirma.

O dirigente avalia que a nova fase do sindicato é de construção. “Vamos participar dos fóruns, congressos e encontros da Conlutas. Vamos debater este novo processo de enfrentamento”, observa.

Sinserm

Com a decisão, o Sindicato dos Bancários passa a ser a segunda grande entidade representativa de Bauru a integrar a Conlutas. O Sindicato dos Servidores Municipais de Bauru (Sinserm) atuou na construção da Conlutas, fundada em 2005, e foi o primeiro sindicato bauruense a se filiar.

A diretora do Sinserm Idelma Corral, que também atua na Conlutas, destacou a importância da filiação do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região à entidade. “É uma grande vitória dos trabalhadores de Bauru. Também nesta grande luta que é a construção deste movimento social, estudantil e de trabalhadores que é a Conlutas”, observa.

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