Cultura

Da favela para o cinema

Por Silvana Arantes | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Estreante no cinema e na arte de representar, aos 18 anos de idade, Maxwell Nascimento chegou ao Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em novembro passado, com o rótulo de azarão da disputa. Intérprete do papel-título de “Querô” - o longa de Carlos Cortez que estréia nesta sexta-feira no Cine N’ Fun do Alameda Quality Center, em Bauru - ele lutaria pelo prêmio de melhor ator com pesos-pesados como Caio Blat (“Batismo de Sangue”) e Matheus Nachtergaele (“Baixio das Bestas”).

Quando o troféu Candango foi parar em suas mãos, Maxwell não disse que jamais havia sonhado em estar ali, discurso comum aos atores premiados. Mas, de fato, ele não havia. Não sonhara nem sequer em conquistar o papel principal do filme, quando se inscreveu nas oficinas de interpretação para aspirantes a atores, promovidas pelos produtores do longa, na Baixada Santista.

“Eu pensava só em participar (da oficina) e me distrair. Porque é difícil ficar aqui onde eu nasci. Na favela você vê tráfico, vê polícia batendo em trabalhador. Eu queria sair desse mundinho e me esforcei para estar no mundo do cinema, mas não tinha essa coisa de disputar papel”, afirma o ator, que hoje interpreta Pedro na novela global “Malhação”.

Porém, entre os 40 candidatos ao papel de Querô, a escolha de Cortez recaiu sobre Maxwell não por sua proximidade com histórias brutais, mas pela ternura que o diretor identificou em sua atitude. “Eu quis fazer um filme delicado, e Maxwell demonstrou nos exercícios que tinha a gama de emoções suficiente para ir do agressivo ao delicado numa boa”, afirma o cineasta.

A delicadeza de “Querô” a que Cortez se refere está no modo como ele trata seu personagem e nos “meandros” que enxerga no texto original de Plínio Marcos. Mas nada disso atenua a dimensão trágica do percurso do protagonista pelo submundo do crime - e sobretudo do castigo, na Febem.

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Modesto

A estréia nacional de “Querô” foi em setembro deste ano com “11 cópias em película e mais algumas digitais”, segundo informa o diretor. É, portanto, um lançamento de tamanho modesto. Independentemente do desempenho de público de seu primeiro filme, Maxwell Nascimento definiu que quer repetir a experiência e seguir a vida profissional como ator.

Cortez, que apresentou o cinema a ele e aos outros 39 garotos que participaram do longa, diz que tenta acompanhar de perto a evolução profissional de todos, mas não acredita na possibilidade de a arte transformar suas vidas. “O cinema transforma a cabeça do cara, não a vida. A vida depende de mil coisas para mudar, e nós não temos o menor controle sobre isso”, conclui.

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