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Saúde mental só tem 4 psiquiatras

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Os 12 mil usuários cadastrados na Divisão de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde disputam a atenção de apenas quatro psiquiatras, sendo que um deles está em licença-prêmio. A falta de tais profissionais têm deixado famílias de Bauru à beira de um ataque de nervos, segundo relataram ao JC. Conforme a reportagem apurou, nem casos envolvendo tentativas sucessivas de suicídio têm conseguido, em curto espaço de tempo, consulta com médico dessa especialidade.

No Centro de Atenção Psicossocial (Caps) dirigido ao atendimento de adultos, apenas um psiquiatra faz plantão uma vez por semana, no período da manhã. As consultas estão sendo agendadas apenas para fevereiro. Já no Caps voltado ao atendimento de quem tem problemas com álcool e droga, um profissional dessa especialidade atenderia diariamente, mas apenas pela manhã.

Segundo funcionários consultados pela reportagem, que se fez passar por paciente, um clínico geral também dá plantão no local, porém só uma vez por semana e à tarde. No Caps infantil, nenhum médico.

“Se eu for num particular, não consigo o remédio (gratuito). Não sei o que eu faço. É a pior fase da minha vida. Chega a um ponto que a gente não agüenta mais. Depois, se faz algo de errado, é criminoso ou louco”, afirma Moacir Antunes de Souza. Ele tem paciente na família e não encontra respaldo no atendimento oferecido pelo município.

Pronto-socorro

De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, em caso de surto ou crise, os pacientes são atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), com retaguarda do psiquiatra do Pronto-Socorro Central (PSC). Ocorre que, por telefone, informaram que o profissional dá plantão no local apenas uma vez por semana.

“O povo portador de transtorno mental e a família estão à deriva, cronificando. Literalmente enlouquecendo”, acrescenta Donzilio Quaggio, que também tem dois casos na família. Ele considera muito bom o serviço prestado no Caps, mas se revolta com a falta de médicos. “Ele (o Caps) é muito eficiente, mas não tem leitos. Não funcionam 24h, nem sábados e feriados”, acrescenta.

De acordo com Quaggio, em caso de urgência, os pacientes são levados ao PSC e tomam medicamento calmante. “É dado um “sossega leão””, destaca. Sem retaguarda, familiares ficam reféns de pacientes e chegam, inclusive, a perder o emprego para vigiá-los, por exemplo.

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Difícil contratação

A Secretaria Municipal de Saúde tem realizado diversos concursos públicos para contratar psiquiatras, informa a assessoria de imprensa da prefeitura. Só neste ano, foram quatro concursos públicos. Cinco profissionais foram aprovados, sendo que três deles aceitaram a convocação e foram nomeados. Um novo concurso público deverá ser realizado ainda este ano.

“Dando ou não dando têm que pagar melhor esses profissionais. Caso contrário, vão embora”, diz Donzílio. O salário inicial de um médico psiquiatra com jornada diária de quatro horas é de R$ 1.987,02 (R$ 1.103,90, mais adicional de 80%), além de vale-compra de R$ 160,00. As remunerações estão dentro de valor de mercado pago por outras prefeituras, diz a assessoria de imprensa.

Apesar do pequeno número de médicos, os casos mais urgentes são priorizados, segundo o órgão de comunicação. Quando um paciente está em surto/crise psicótico, por exemplo, seu tratamento recebe prioridade de modo a evitar a internação. A urgência do tratamento do paciente é definido por todos os profissionais envolvidos com o caso.

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