Brasília - Com discursos inflamados contra o governo federal, o PSDB elegeu ontem a nova Executiva Nacional do partido - que terá como seu presidente o senador Sérgio Guerra (PE). Apesar das críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os tucanos reconheceram que terão que aproximar o discurso do povo brasileiro para que retornem ao poder em 2010 sem o “estigma” de que integram um partido de “elite”.
“O objetivo é unir o partido para a vitória. Vitória que vem com voto. De que serviu a vitória do presidente Lula comparada com os ideais que ele pregava? Não será fácil para ninguém. Mas será mais fácil para nós na medida em que tivermos a unidade, que estivermos junto ao povo”, afirmou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
A exemplo de FHC, Guerra admitiu que o partido terá que se aproximar do povo brasileiro para reconquistar as vitórias nas urnas. “Ninguém é salvador da pátria no PSDB. Não queremos ser nem o pai nem a mãe dos pobres. Nós queremos é ser a favor dos pobres”, afirmou.
O ex-presidente não poupou críticas ao governo Lula nem ao petista. Apesar de não citar o nome do presidente no discurso, FHC ironizou de forma indireta a baixa escolaridade de Lula ao rebater as acusações de que o PSDB é um partido de elite. “Aqui (no PSDB) há acadêmicos, e não temos vergonha disso. Aqui tem quem fala bem a nossa língua, e nos orgulhamos disso. E há brasileiros que ainda não sabem bem falar a nossa língua. Tem gente que despreza a educação, a começar pela própria.”
Além de Guerra, o PSDB também elegeu a Executiva Nacional da legenda ontem que será composta pela senadora Marisa Serrano (1.ª vice-presidente), Eduardo Jorge (vice-presidente executivo), Márcio Fortes (tesoureiro) e Rodrigo de Castro (secretário-geral), entre outros.
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Preconceituoso
Brasília - Líderes governistas reagiram ontem às declarações do ex-presidente FHC de que os brasileiros “não podem ser liderados por quem não prioriza a educação”. A frase foi interpretada por governistas como “preconceituosa”, que entenderam que foi uma crítica à baixa escolaridade do presidente Lula.
Ex-ministro da Educação, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que o nível de escolaridade não representa a capacidade intelectual de ninguém. “Se ele quis falar em relação ao presidente Lula, como tudo indica, foi não apenas um preconceito como um equívoco. Porque o Lula pode não ter estudado formalmente, mas ele fala português direito.”
Cristovam criticou o fato de FHC e Lula não terem realizado no País uma “revolução” na educação básica do País - o que o senador considera como fundamental para o crescimento brasileiro.
O novo líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), disse que o ex-presidente foi “infeliz e preconceituoso”, além de não ter sido fiel às estatísticas. Fontana também considerou a frase de FHC um “desrespeito” porque acredita que as palavras “alimentam o preconceito” no País.