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Parcelamento e taxa de juros baixa explica ‘boom’ de vendas

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Todas as revendedoras de veículos consultadas pelo Jornal da Cidade apontaram o prazo de financiamento e a taxa de juros como os dois principais responsáveis pelo crescimento tão expressivo nas vendas deste ano. Conforme noticiou o JC recentemente, já é possível parcelar a compra de um carro novo em até 99 vezes, ou seja, em oito anos, a uma taxa de 0,89% ao mês. É uma facilidade nunca vista antes.

“Quem estava pensando em comprar um carro usado, mudou de idéia e agora está comprando um novo”, diz José Antônio Rossini, 54 anos, gerente comercial da Nova Bauru, revendedora Volkswagen. Segundo ele, a vantagem de um carro novo é que, pelos próximos três ou quatro anos ele dificilmente exigirá algum gasto com oficina mecânica, ao contrário do que ocorre com um carro usado.

“Nós sabíamos que isso (impulso nas vendas) iria acontecer, mas não tão depressa”, revela Rossini. Segundo ele, a média histórica da revendedora é comercializar 80 carros por mês. Este ano, a média está em 190 carros/mês. As vendas simplesmente dobraram. Desse total, 80% foram financiadas. A maior parte dos consumidores preferiu dividir em 36 parcelas, mas têm muitos que preferem esticar o parcelamento por um prazo bem maior.

Na Amantini Veículos as vendas aumentaram 30%, segundo o gerente comercial Fernando Vieira de Mello, 45 anos. Segundo ele, o ano passado havia sido bom em termos de vendas, mas 2007 já superou todas as expectativas. E o ano ainda nem terminou. “Este ano, com certeza, vai entrar para a história”, aposta.

A média de emplacamentos na cidade de Bauru, segundo ele, é de 850 a 900 carros todos os meses. O gerente acredita que o mercado tem fôlego para continuar crescendo em 2008. “Estamos esperando um ano tão bom quanto este”, informa.

Troca de usado

A cena mais comum nas revendedoras, hoje em dia, segundo o consultor de vendas Ricardo Rodriguero, 42 anos, da Primo Fiat, é o cliente chegando com um carro usado e saindo com um zero quilômetro. Ele entrega o usado, paga ou financia a diferença e sai com um novo.

Segundo Rodrigueiro, é prática comum também o cliente vender o carro usado e com o dinheiro pagar despesas cujo juro é maior do que aquele que ele vai pagar financiando a compra de um carro zero. De acordo com ele, a Primo está vendendo uma média de 200 carros novos todos os meses. É praticamente a mesma quantidade de carros usados vendidos pela revendedora, o que mostra que as vendas nesse segmento também andam aquecidas.

A tendência é confirmada pelo diretor da Simão Ford, Jorge Simão. Segundo ele, a venda de veículos usados cresceu de 30% a 40%, mesma proporção de aumento nas vendas dos zero quilômetros registrado pela revendedora. Na avaliação do diretor, existem outros aspectos que estão contribuindo para o crescimento na procura pelo carro zero. Entre eles, o reajuste quase inexistente no valor dos automóveis e a possibilidade de não depender de apenas um tipo de combustível - os carros flex.

O crescimento nas vendas ocorre também nas revendedoras de veículos de alto padrão, direcionados a um consumidor com poder aquisitivo mais elevado. Um exemplo disso é o salto de 40% que a Renault está experimentando na loja de Bauru. Esse crescimento é atribuído pelo gerente comercial José Renato Brandão Tarcinalli, 51 anos, à chegada de novos modelos. A fila de espera para esses carros, segundo ele, é de aproximadamente 90 dias. No entanto, se o cliente optar por um carro que está no mercado há algum tempo, a espera cai para cerca de 10 dias.

Na revendedora da Nissan, o clima é de total euforia. Afinal de contas, a loja deve fechar o ano com um aumento de 80% nas vendas de carros novos, segundo o gerente Eloy Augusto Moura Júnior, 50 anos. O modelo mais simples da montadora custa cerca de R$ 50 mil. “De um modo geral, o movimento cresceu desse jeito por causa da facilidade no financiamento e dos juros baixos”, aponta o gerente.

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