Bali - Cientistas do IPCC, o painel do clima das Nações Unidas, pisaram ontem pela primeira vez na arena política e defenderam metas obrigatórias, estritas e imediatas de redução de gases de efeito estufa.
Um grupo de 212 climatologistas lançou em Bali, na 13.ª Conferência das Partes da Convenção do Clima da ONU (COP-13), um documento destinado aos governantes.
A declaração pede que o regime climático pós-Kyoto seja concluído em 2009 e tenha uma meta de limitar o aquecimento do planeta em 2ºC. Para isso, os cientistas demandam que o nível de CO2, o principal gás de efeito estufa, seja estabilizado em 450 ppm (partes por milhão), o que significa um corte de pelo menos 50% nas emissões, em relação aos níveis de 1990, até 2050.
Esse tem sido considerado por vários cientistas como o nível “seguro'' de aquecimento global, acima do qual o planeta assistiria a efeitos em cadeia potencialmente catastróficos, como o degelo generalizado dos pólos e o aumento correspondente no nível do mar.
O objetivo de 2ºC foi incorporado à meta de estabilização da União Européia, mas vem enfrentando resistência de vários países -entre eles o Brasil.
Posição filosófica
Ao proporem essa meta, os cientistas signatários da Declaração do Clima de Bali estão fazendo o que o IPCC não pode fazer: propondo políticas públicas. O painel do clima, por ser um órgão estritamente científico, não pode fazer recomendações políticas. É isso em parte que garante a isenção dos resultados do IPCC - e o que garantiu que todos os governos, até mesmo a administração de George W. Bush, tenham endossado as conclusões do painel de que o aquecimento global é “inequívoco”.