A precariedade da frota de ambulâncias sociais do município de Bauru, destinadas ao transporte de pacientes, já chega a interferir no tratamento de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Das sete viaturas, duas estão quebradas. A história de Geraldo Rodrigues dos Santos confirma o problema. Com infecção na perna, ele depende de sessões de terapia com oxigênio realizadas no Hospital Beneficência Portuguesa.
Nesta semana, no entanto, o tratamento foi interrompido por conta do transporte. Foram buscá-lo em casa no horário em que a sessão já estava para ser encerrada. “Na semana passada, eu chegava atrasado uns cinco minutos. Nesta semana, por causa do atraso, só fui na segunda-feira. Posso até perder a perna por conta da infecção”, comenta.
De acordo com ele, os funcionários atribuíram a dificuldade aos problemas com as viaturas. Segundo o JC apurou, uma delas, que havia sido tirada de circulação, voltou a rodar pela cidade em situação precária. Outra estaria com o motor fundido. Uma terceira teria sido devolvida ontem porque um banco estava solto e foi fixado. Mas a porta da viatura continua abrindo sozinha.
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o município conta com sete veículos destinados a atendimentos sociais, utilizados para transporte de pacientes, sendo que dois estão em manutenção. A Secretaria Municipal de Saúde possui ainda oito viaturas utilizadas pelo Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu), sendo que três estão em manutenção, acrescenta o órgão de comunicação.
Ou seja, mais de 30% da frota está parada. Há um mês, esse percentual era de 40%. A situação é fonte de constantes reclamações junto ao Conselho Gestor do Pronto-Socorro.
O problema chegou a ser levado ao promotor do Patrimônio Público e Defesa da Cidadania de Bauru, Fernando Masseli Helene, que há quase dois anos tenta encontrar soluções para as dificuldades da saúde pública municipal. Ontem, o secretario municipal de Saúde, Mário Ramos, teria procurado o Gabinete do promotor para informar que está licitando a compra de outras seis ambulâncias sociais. Para o Conselho Gestor do Pronto-Socorro, tal informação soa como uma confissão da precariedade da frota atual.