São Paulo - De 2001 a 2006, São Paulo foi o Estado que mais conseguiu reduzir o número de mortes violentas entre jovens do sexo masculino, os mais afetados por esse tipo de mortalidade. Em 2001, o Estado liderava o ranking desse tipo de morte entre os homens jovens com uma taxa de 240 óbitos por grupo de 100 mil habitantes de 15 a 24 anos.
Em 2006, após uma queda de 48%, essa taxa chegou a 125 mortes por 100 mil, o que fez com que São Paulo caísse da primeira para a 13ª posição nesse ranking. O patamar a que São Paulo chegou em 2006 coloca o Estado praticamente na média do Brasil, onde a taxa de óbitos violentos no ano passado entre homens jovens ficou em 124 por 100 mil. De 2001 a 2006, a taxa brasileira registrou queda de 13%.
Os Estados que registraram maior aumento na taxa de mortes violentas - soma de homicídios, acidentes de trânsito, suicídios e outras causas não-naturais - foram Alagoas (com aumento de 64%) e Rio Grande do Norte (crescimento de 61%).
O Estado que lidera esse ranking negativo, mais uma vez, é o Rio de Janeiro, seguido do Espírito Santo e de Pernambuco. São os três únicos Estados em que a taxa supera o patamar de 200 mortes violentas por 100 mil jovens homens -216 por 100 mil no Rio e 204 por 100 mil no Espírito Santo e em Pernambuco.
O coordenador de população e indicadores sociais do IBGE, Luiz Antônio de Oliveira, explica que a liderança do Rio nesse ranking é reflexo não só da violência, mas também do fato de que esse Estado tem quase 75% de sua população vivendo na região metropolitana. “A violência no Brasil está muito associada a urbanização. Um Estado como o Rio, em que a região metropolitana responde por 75% da população, tende a ter taxas maiores. Em Pernambuco, por exemplo, onde sabemos que Recife também tem níveis altos de violência, a região metropolitana responde somente por um terço da população. Na Bahia, a região metropolitana de Salvador tem somente 25% da população. Isso acaba elevando a taxa do Rio para cima”, diz o pesquisador.
Outra ponderação que os técnicos do IBGE fazem na hora de comparar todos os Estados é que, especialmente no Norte e Nordeste, há uma subnotificação significativa de óbitos. No Nordeste, por exemplo, o IBGE estima que quase um terço (31,2%) de todas as mortes - e não somente as violentas - não seja registrada.
Ainda que a subnotificação de mortes violentas não seja tão alta quanto a registrada nos demais tipos de óbito, é de se esperar que as taxas de Estados do norte e nordeste sejam maiores do que as verificadas em cartório. No caso de Estados da região Sul e Sudeste, no entanto, essa subnotificação afeta pouco a estatística de óbitos violentos, já que apenas 3% das mortes no Sudeste e 1,5% no Sul não são registradas.
A queda recente na taxa de óbitos violentos de homens jovens, no entanto, foi insuficiente para retirar desse tipo de mortalidade a liderança no ranking de causas de morte, pois a proporção continuou alta. Em 1990, 61% das mortes de homens de 15 a 24 anos eram por causas externas.